quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Meus top 20 lugares preferidos para comer no RJ

1. BAR D'HÔTEL. A comida, deliciosa, é a mesma do Ruella de São Paulo. Só que enquanto lá ela é servida num beco charmoso em estilo provençal no Itaim, aqui o ambiente é o primeiro andar de um design hotel do Leblon, envidraçado e com vista para a praia. O lugar é colorido sem ser over e badalado sem deixar de ser aconchegante. Gente bonita, música boa... enfim, o perfeito "jantar-balada". E o trois laits, a sobremesa inesquecível do Ruella, sempre encerra com chave de ouro. Com tantos predicados, não tem jeito: há pelo menos cinco anos, é meu restaurante predileto no Rio, sem previsão de perder o posto.


2. FELLINI. Enquanto o Bar d'Hôtel é meu jantar predileto, o Fellini é meu lugar preferido para almoçar. É o melhor representante de uma categoria da gastronomia carioca que não tem correspondentes em São Paulo: a dos "quilos premium", lugares que servem comida de restaurante de primeira linha em sistema de bufê por peso. A comida é bem variada - risotos, quiches, massas, carnes, aves, sempre em preparações caprichadas, que vão além do trivial. O hot philadelphia deles faz tanto sucesso que é servido diariamente (com molho teriaki por cima fica uma delícia). Mas o melhor mesmo é a parte de doces: uma torta alemã de comer de joelhos, um brownie divino e a melhor crème brulée que eu já comi no Brasil ! Não dá pra deixar de almoçar aqui pelo menos uma vez a cada vinda ao Rio. Mesmo que a fila depois da praia seja de doer.


3. DOCE DELÍCIA. Lugar muito gostoso e pra lá de versátil: restaurante, doceria, delicatessen. O cardápio é enorme, com pratos para todo tipo de fome (o meu preferido é o Frango Paris). Dá ainda pra montar uma ótima salada, escolhendo até 15 itens de uma lista de ingredientes detalhada (você escolhe até a quantidade de molho; o Molho do Chef, o mais gostoso entre os sete tipos, leva iogurte, mostarda, mel, manjericão, vinho branco, orégano e vinagre balsâmico). E a doceria faz simplesmente os melhores bolos da cidade - encerrar a refeição com um pedaço do dois amores é o que há.


4. ZAZÁ BISTRÔ TROPICAL. Com tantos restaurantes de cozinha contemporânea previsíveis e parecidos, o Zazá realmente se sobressai, seja pelo cardápio, que cita Brasil, América Latina e Oriente, seja pelo ambiente colorido, irreverente e sensual. No segundo andar, a luz é de velas e as mesas são todas baixas, com almofadões - é preciso tirar os sapatos ao subir. Ótimo para ir com amigos (e ficar horas jogado nas almofadas lá em cima, beliscando e conversando) ou mesmo com alguém especial. Gosto de abrir com as samosas de camarão e gengibre com chutney de manga e depois pedir os camarões flambados com risoto cremoso de limão e alho-poró, ou as robatas de filé mignon com cebola caramelizada e cuscuz marroquino (que são os pratos menos ousados do menu). No final, um menu-degustação traz pequenas amostras das principais sobremesas da casa.


5. ATAULFO. Outro quilo premium no Leblon, na mesma linha do Fellini. A comida é muito variada e muito boa, desde as saladas-salpicão, no estilo daquelas servidas pelo Gula Gula, até as sobremesas - a torta de limão deles é a melhor da cidade (mas é a torta comum, não a especial !). Além do bufê a quilo (que só funciona no almoço), a casa também é restaurante, delicatessen, empório e sorveteria italiana – sempre primando pela excelência culinária, mas sem excesso de pretensão.

6. B!. Instalado no mezanino da Livraria da Travessa da Visconde de Pirajá, é moderno, com painéis luminosos nas paredes e um certo clima nova-iorquino que fará você se sentir no seriado Sex and the city. O cardápio, com sopas, carnes, risotos e sanduíches, é uma versão mais resumida do menu do Bazzar, dos mesmos donos. Adoro o queijo brie com mel e amêndoas sobre torradas, a sopa de tomate com queijo gruyère e o filé a milanesa com risoto de pesto e tomates frescos. Se o B! não fechasse às 23h00, seria uma ótima opção de jantar-balada; é gostoso e fervido na medida certa.


7. DELÍRIO TROPICAL. Enquanto as barbies se espremem para comer aquele rango insosso e sem cor do New Natural, esse é meu pós-praia número 1 em Ipanema. Tem variedade e qualidade, com a rapidez que a fome depois da praia exige. Você recebe uma bandeja e monta sua refeição escolhendo entre diversos itens com preço avulso - saladas, bruschettas, quiches, pratos quentes e doces (as sugestões se alternam a cada dia). As saladas são incrementadas e a maioria é bem criativa (a Rodrigo, por exemplo, leva frango, banana, abacaxi, granola e molho curry); escolhendo duas delas e mais um prato quente (que pode ser escalopinho ao molho mostarda, coxa ao molho de alho-poró, crepe de camarão...) você come superbem por menos de R$ 20. Na parte de doces, o pavê de doce de leite é tentador.


8. THE BAKERS. Meu endereço favorito em Copacabana, é um misto de boulangerie, rotisserie e pâtisserie, com excelentes salgados, doces e sanduíches. Recomendo vivamente a quiche Provol’Onionz, de provolone cremoso e cebola, e o sanduíche Honey Chicken, com peito de frango, queijo provolone e mostarda com mel, no pão ciabatta. Os doces são um atentado à boa forma. Lugar bom para você se mimar em um dia ruim, ou ainda para comprar alguma gostosura para levar à casa de um amigo carioca.


9. SORVETE ITÁLIA. A Mil Frutas pode ser muito mais hype, mas é aqui que eu sou realmente feliz quando o assunto é sorvete. O que não falta são sabores bem cremosos e doces, que valem por uma sobremesa - especialmente o de torta alemã, que na minha opinião é o melhor de todos. Na mesma linha "engordiet", tem brownie, ovomaltine (bem doce !), chocolate com marshmallow... baixos teores, só se for de vergonha na cara.


10. ATELIÊ CULINÁRIO. Esse charmoso café do Leblon é a personificação do que há de pior no Rio de Janeiro em termos de atendimento: o staff da casa é lento e antipático, parece até que estão fazendo um favor ao atender você. Ano após ano, eles não melhoram nunca ! Mas eles podem: as quiches que eles fazem são as mais deliciosas que há - especialmente a mini de tomate cereja com manjericão, que é boa demais. Eles também fazem alguns sanduíches e saladas com um toque gourmet, além de doces tentadores, como a mini mud cake e a crème brulée de pistache, mas normalmente só vou lá por causa das miniquiches - para não me estressar muito com os atendentes de lá, peço para viagem e vou comer sentado no Mirante do Leblon...


11. TALHO CAPIXABA. Apesar do nome pouco sonoro, é um dos endereços mais legais do Leblon, freqüentado apenas por quem conhece. É um misto de padaria e delicatessen, que na verdade nasceu como açougue (!). O grande barato da casa são os sanduíches, que você monta escolhendo os ingredientes um a um e pagando por quilo. As opções vão muito além do lugar-comum: só de pães, são trinta tipos; depois, há uma infinidade de pastas, frios e queijos para incrementar o recheio. Com isso, com um mínimo de talento você acaba montando uma criação totalmente diferenciada, e com a sua cara.


12. DA SILVA. Esse quilo premium tem como principal mérito o fato de que sua cozinha é a mesma do tradicional e caríssimo restaurante Antiquarius - o que significa que nele você pode comer as mesmas delícias portuguesas da casa-mãe a um preço bem mais camarada, pelo sistema de quilo. O bacalhau da silva é simplesmente maravilhoso, até mesmo para quem, como eu, não é lá muito fã de bacalhau. E a mesa de sobremesas portuguesas é espetacular, especialmente a siririca, digo, siricaia, que vem a ser a prima lusitana da crème brulée francesa.


13. JUICE & CO. Nasceu na Barra como uma lanchonete pautada em alimentação saudável, com destaque para seus incríveis sucos batidos na centrífuga, misturando várias frutas em mais de 50 combinações - a que leva uva itália e água de coco é minha favorita. Depois, mudou-se para o Leblon, em instalações muito mais grandiosas, na linha rústico-chique, e além dos sucos e sandubas colocou no menu alguns pratos quentes mais elaborados. Quando vou, além do suco que eu citei eu peço um sanduíche que leva rosbife, chutney de damasco e sour cream, em uma deliciosa baguete integral que só eles fazem.


14. MIAM MIAM. Tenho ojeriza a Botafogo, bairro que acho escuro, sujo, feio e perigoso, mas esse lugarzinho é uma verdadeira jóia. A proposta do lugar é chamada de "comfort food": receitas caseiras, que trazem conforto e lembranças de infância, relidas de forma contemporânea. O clima retrô é reforçado pela própria decoração, com cadeiras, luminárias e jogos americanos nas mesas que dão ao lugar uma cara de casa da avó. O resultado, por incrível que pareça, é moderno e descolado. Recomendo: o risoto de grãos com cogumelos frescos, ervas e parmesão; a moqueca de peixe e camarão ao molho suave de curry com arroz de coco queimado; o picadinho de mignon, arroz de gengibre e cogumelos frescos na manteiga; e, de sobremesa, a excelente terrine de chocolate em sopa de pistache.


15. COUVE-FLOR. Mais um quilo premium na mesma linha do Fellini e Ataulfo, só que com ainda mais variedade na parte salgada, onde é freqüente encontrar comidas refinadas "com cara de festa", como camarão, pernil e peru, além de uma mesa só de sushis. Por conta da localização (fica no Jardim Botânico), é um lugar pouco freqüentado pelos turistas - o que não significa sossego, porém: a casa é bastante conhecida pelos cariocas, e por isso vive cheia nos finais de semana - você espera fácil 40 minutos ou mais por uma mesa.


16. CAFÉ DU LAGE. Outro segredo pouco conhecido pelos turistas, é um café charmosíssimo localizado dentro do Parque Lage, no pátio interno de um casarão, com um lindo visual. Há mesas com cadeiras, sofás e almofadões. No menu, quiches, saladas, sanduíches e doces. Aos sábados e domingos, eles servem entre 9h00 e 14h00 um café da manhã completo a R$ 15,00 – o café em si não é especial, mas vale muito pelo lugar, uma jóia escondida da cidade. O lugar é tão aprazível que muitos cariocas chegam para o café e vão ficando por lá, especialmente se o céu não abriu para a praia.


17. GULA GULA. Não tinha como eu deixar de falar em algum momento deste que é um dos endereços mais conhecidos da cidade. A qualidade da cozinha já foi bem melhor, é verdade, mas ainda dá pra acertar, especialmente se você ficar no que eles fazem de melhor: as saladas. A mais vendida é a de batata frita (um típico salpicão, que na verdade não leva batata frita, e sim batata palha) e a minha predileta é a de frango ao pesto (com macarrão parafuso e mussarela de búfala); na dúvida, peça a opção Mix e combine até quatro tipos no mesmo prato. Outras coisas que adoro lá: o suco de abacaxi com iogurte e gengibre (genial) e, como sobremesas, a torta mousse de chocolate (que vem quente e mole, com sorvete de creme) e o rocambole de chocolate com recheio de doce de leite.


18. CELEIRO. Firmou-se como um endereço tradicional da alta gastronomia carioca, com sua excelente culinária servida por quilo, feita por e para madames. Possivelmente, será o prato por quilo mais caro que você comerá na vida (atualmente, cobra-se o surreal preço de R$ 65,90 pelo quilo), mas o lugar tem uma capacidade de inventar saladas criativas que merece ser reconhecida. Sem falar que a casa em si é uma graça, parece até uma casinha de boneca, a presença de celebridades é divertida e as sobremesas são dignas de nota também.


19. BAZZAR. O lugar é lindo, moderno sem deixar de ser sóbrio e clean sem deixar de ser aconchegante, e a cozinha mescla as culinárias francesa e contemporânea, às vezes com toques orientais. Os pães trazidos à mesa antes dos pratos já dão uma idéia do bom padrão de qualidade da comida. É um lugar bom para ir em grupo, pois o cardápio é grande (entradas, sanduíches, risotos, carnes, massas, peixes), então dá pra todo mundo encontrar algo que lhe apeteça. E, para quem quiser algo mais leve, há também ótimas sopas, como a de milho com queijo de cabra e cogumelos - sim, os cariocas também tomam sopa, por mais curioso que isso possa parecer.


20. NIK SUSHI. Bastante conhecido pelo povo que freqüenta Ipanema, esse restaurante japonês faz um rodízio de sushi muito correto, com peixes fresquinhos e gostosos. Ao invés de eles trazerem aquela montanha de hossomakis sem graça que você terá que comer, é você que especifica o que deseja comer e em que quantidade, preenchendo uma fichinha. E pode repetir à vontade, pagando um preço fixo (R$ 26,90 no almoço, R$ 38,90 no jantar e nos finais de semana, quando costuma lotar). O ambiente é descontraído, mas intimista, numa das melhores opções para comer depois de um longo dia de praia.

sábado, 25 de novembro de 2006

À Côté: a comida do Ruella cresce e aparece

Meus amigos queridos do Rio vieram fazer um fim-de-semana gastronômico em São Paulo e ontem fomos jantar no À Côté, nos Jardins, ao lado do B&B Burger Bistrot. O À Côté é o novo restaurante da Danielle Dahoui, que é dona do meu segundo restô predileto em SP (o Ruella; o primeiro, se você está curioso, é o Carlota) e também criadora do meu restaurante preferido no Rio (o Bar d'Hôtel, no Leblon).

Eu já tinha entrado no À Côté, para conhecer o ambiente, da última vez em que fui jantar no B&B. O lugar é lindíssimo, tem vários ambientes, todos com aquela característica de conforto aconchegante, profusão de cores e mistura de eras e estilos que é marca registrada da Danielle. No mezanino, há uma mesa baixa com sofás e almofadões - que eles chamam de sala árabe - e até um aposento decorado em estilo oriental. Bem bacana.

Em relação à comida, não tive como não criar expectativas altíssimas, justamente porque o Ruella é um daqueles lugares com pratos tão carismáticos que você se torna rapidamente dependente deles. E, embora nada no À Côté tenha deixado a desejar e os pratos sigam exatamente a mesma proposta de culinária francesa contemporânea, no fundo eu fui esperando uma sensação que só o Ruella poderia me dar.

Pedimos uns tartines deliciosos de steak tartar e de queijo de cabra para abrir os trabalhos. Depois, os meninos escolheram um linguado com lascas de amêndoa e um risoto cremoso de limão e abobrinha que estava delicioso. E eu, que estava com desejo de carne vermelha, pedi uma espécie de entrecôte alto com batatinhas provence (que vêm a ser uma versão mais abrutalhada das batatas tourraine do Spot) e molho béarnaise à parte. Estava gostoso, mas não era nada que eu não pudesse comer em qualquer outro lugar. Já os pratos do Ruella são insubstituíveis. Não se pode comer o confit de pato deles em nenhum outro lugar. Muito menos o trois laits, a melhor sobremesa do mundo (bem, essa também dá pra comer no Bar d'Hôtel, no Rio - cujo cardápio também é da Danielle Dahoui !)

De sobremesa, o Xande pediu uns rolinhos de nutella com sorvete e farofa de pé de moleque, e eu quis ousar e arrisquei o suflê de bailey's, tido como um dos carros-chefe da casa. Me dei mal: o suflê era enjoativo, não exatamente por ser doce demais, mas por ser forte no licor e não ter um sabor de base marcante. Esse é para não pedir mais. De qualquer maneira, o balanço da visita foi positivo. O lugar é muito bonito mesmo, e o cardápio tem um monte de outras opções que devem me manter ocupado por algum tempo. Desde que eu não vá lá com vontade de comer a comida do Ruella...

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Boemia descontrol

Buenos Aires é uma terra de boêmios como poucas no mundo (neste momento, só me ocorre Madrid como outra cidade que dê para se comparar). Aqui, todo mundo ganha as ruas durante a noite, e não só os jovens: famílias inteiras, incluindo idosos e crianças, saem para jantar e depois vão caminhando até algum café de esquina, onde passarão mais algumas horas da noite a jogar conversa fora.

A hora de o argentino sair de casa já é bem avançada: os restaurantes só começam a encher às onze - quem chegar às 20h00 provavelmente só encontrará os garçons e uma ou outra mesa ocupada (por turistas brasileiros).

Depois que o segmento "família" foi dormir, é a vez da juventude começar a jogación. As boates e clubes, chamados na Argentina de boliches, começam a receber os primeiros baladeiros às 2h30, e dificilmente encerram os trabalhos antes das 8h00. Em seguida, os trasnocheros tomam um banho em casa e vão para o Caix, um sensacional afterhours numa espécie de ginásio circular envidraçado, com vista para o rio, que só termina às 14h00. Depois desse horário, há ainda os chillouts, que rolam nas chamadas quintas, espécies de casas de campo afastadas do centro.

Não falta pique para essa gente animada, que mesmo nos piores anos de crise econômica segue sempre livin' la vida loca.

domingo, 2 de julho de 2006

Homenagem à pessoa mais importante da minha vida

Podemos estar a poucos quarteirões ou a quinhentos quilômetros de distância, e ainda assim moramos um dentro do outro.

O cheiro dos teus perfumes e o gosto da tua comida me levam de volta a um passado reconfortante, que para você nunca acabou, pois aos seus olhos eu continuo sendo a mesma criança.

Nosso abraço se encaixa direitinho e você sempre está disposta a me ouvir e me oferecer seu carinho.

Quando você sorri, eu me encho de alegria.

Quando você chora, eu morro um pouquinho por dentro.

E vice-versa.

Você está comprometida com a minha felicidade e eu com a sua.

Às vezes a vida é cheia de reveses, e é bom sabermos que podemos contar um com o outro. Com o apoio do outro e com o amor do outro.

Meu sonho é que você se reencontre em um novo caminho e perceba que ainda há muita coisa bonita a ser vivida e sentida na sua vida.

Nunca deixe de contar comigo sempre que precisar.

Não canso de dizer isso todos os dias, então aqui vai mais uma vez:

- Te amo muito, mãe !

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Pool party La Turca caminha para a consagração

Nesse último domingo (30 de abril), a quarta edição da pool party La Turca reuniu pelo menos 800 pessoas – entre barbies, héteros e até travestis – em uma casa de campo em Jaraguá, no extremo noroeste da cidade de São Paulo.

São Paulo já tinha uma noite gay muito bem suprida, com lugares de vários tamanhos e opções para todas as tribos – incluindo um superclube que com certeza está entre os cinco melhores clubes gays do mundo atualmente – mas, até bem pouco tempo atrás, ainda não tinha sua pool party. Os paulistas precisavam esperar até o Carnaval para ir ao Rio de Janeiro, ou então desembolsar umas boas doletas para se jogar em Miami.

A pool party La Turca veio de mansinho, como quem não queria nada, preencheu essa lacuna e, em sua quarta edição, já pode ser considerada uma das celebrações mais importantes da cena gay (ou, pelo menos, do clã das barbies) de São Paulo. Tanto é que, na multidão que bombou o sítio alugado para a festa, viam-se muitos rostos de outras cidades (Campinas e Santos compareceram em peso), de outros Estados (RJ, PR, RS, ES e até MS) e até de outros países (com pelo menos duas rodinhas bem animadas de gringos que entraram na onda da jogação brasileira).

Para não fazer feio diante de um público cada vez maior, a produção procurou cuidar bem de todos os detalhes, e isso já se via antes mesmo de chegar à festa: o caminho até o local foi todo sinalizado com panos cor-de-rosa, o que acabou sendo de grande utilidade, já que o percurso era bastante complicado para os não-iniciados. Chegando lá, mais amostras de profissionalismo. Os seguranças cumpriram bem o papel que se esperava deles: eram sérios, mas cordiais, sem sinais de preconceito ou abusos. Duas grandes mesas de frutas foram colocadas à disposição de todos, e uma espécie de trailer vendia sanduíches de carne louca e cachorros-quentes. Quem queria dar um tempo da jogação podia se esparramar em vários sofás de veludo bordô espalhados pelos jardins, bem como um quiosque coberto. Uma cama elástica e um enorme tobogã inflável davam um ar divertido e até inocente à festa. Faltou apenas um número maior de banheiros, pois havia apenas três para todo mundo, o que provocava filas de cortar a onda de qualquer um...

Como em toda pool party que se preza, porém, era em volta da piscina que a coisa pegava fogo. No som, os DJs Renan Petrecca, Felipe Lira, Robson Mouse, Herbert Tonn, Morais, Willy, Leandro Becker e Vlad fizeram sets bastante adequados à proposta da festa, acertando em cheio no gosto do público. De todos eles, quem realmente roubou a cena foi Morais. O DJ dosou muito bem momentos mais happy e outros mais dark (incluindo aí uma ótima versão progressive de “Fever”, da Madonna), e isso sem ficar se apoiando nos hits mais óbvios (nada de “Cha Cha Heels”, oba!) . Não foi à toa que, após encerrar o seu set (com “Because of You”, de Kelly Clarkson, cantada em coro pela multidão), Morais foi o mais aplaudido de todos.

A festa deveria durar até as 22 horas, mas a animação do público era tanta que a produção resolveu deixar rolar, e com isso muita gente acabou desistindo de ir pra The Week ou pra Blue Space. Foi uma festa incrível, que, guardadas as devidas proporções, não fez feio diante das pool parties cariocas (embora seja injusto querer compará-las, até pelo fato de que no Rio o Carnaval dá uma outra cara a qualquer festa), e com certeza será o assunto geral nas rodinhas por pelo menos umas duas semanas. Prova de que o projeto, que começou pequeno, já tem maturidade suficiente para aparecer entre as festas da semana da Parada Gay e, quem sabe, alcançar sua consagração definitiva. Resta esperar para ver se a cada vez mais conhecida Turca vai ou não vai aproveitar essa chance.

Resenha que escrevi a convite do site GLX.com.br

segunda-feira, 20 de março de 2006

Vi a morte de perto, mas ela não sorriu pra mim

Não nos damos conta do quanto nossa vida é frágil e passageira, até que ela nos mostre que tudo aqui pode mudar a qualquer momento.

Ontem fui atropelado em Copacabana.

Onze e dez da noite, eu estava indo em direção ao trecho onde iria esperar um táxi para a rodovíária. Fui atravessar a rua, não havia ninguém nela, mas pela transversal veio um carro em alta velocidade, querendo entrar à esquerda na rua que eu estava atravessando. O motorista olhou para a direita, viu que não tinha nenhum carro vindo, e nem reduziu. Não lhe ocorreu a idéia de olhar também para a esquerda, onde havia um pedestre atravessando com sua mochila nas costas.

Foi tudo muito rápido, fui atirado longe e no momento seguinte estava estirado no asfalto de Copacabana, quinze pessoas em volta. Tive dificuldade em levantar, eu tremia e meu corpo inteiro doía. O sujeito me colocou no carro e perguntou se eu não queria ir para algum pronto-socorro, mas ele mesmo não sabia chegar a nenhum hospital público (e meu plano de saúde, da antiga companhia energética de SP, não tinha cobertura automática lá); eu estava me atrasando para pegar o ônibus, tinha que estar em São Paulo para trabalhar a qualquer custo... como eu não tinha batido a cabeça, nem estava com sintomas mais sérios, achei melhor pedir pra ele me deixar na rodoviária mesmo, e em SP eu veria o que tinha acontecido comigo.

Passei a manhã no hospital fazendo exames. Não tive fraturas, apenas traumas musculares e uma tendiopatia no ombro. Não consigo mexer o braço direito, e ando mancando da perna esquerda, por causa do joelho (felizmente, a rótula está inteirinha). Mas com remédios e gelo a dor deve ir melhorando aos poucos, e nos próximos 15 dias terei que ficar sem atividadeas físicas. Escapei da morte, não era a minha hora ainda.

Tudo isso me mostrou como nós somos frágeis e pequeninos, movidos pela vida ao sabor de uma força maior. Achamos que podemos prever tudo, mas na verdade não sabemos nada. Uma hora você está lá, e no minuto seguinte pode não estar mais. É muito chocante. Não sei o que pensar direito, ainda estou atordoado, mas percebo que precisamos mesmo viver cada dia em sua plenutide, e aproveitar ao máximo nosso contato com as pessoas. Ao dobrar a esquina, não sabemos o que vamos encontrar, e nada mais pode estar lá.

domingo, 12 de março de 2006

Pós-coito

Aí você separou suas verdinhas, se matou na academia pra despachar as sobrinhas, comprou roupa nova e chegou sedento ao balneário. Circulou de rodinha em rodinha nas areias da praia, viu as bandas passarem, trocou alguns beijos na dispersão. Garantiu o sustento dos dealers e colocou mais algumas letras em seu alfabeto de sensações. Viu DJ fulano, DJ beltrana e DJ sicrano. Comparou as festas, viu e foi visto, fez uma coleção de fotos do fervo.

E aí, como tudo que era ou parecia doce, acabou.

Você pode voltar para sua cidade natal e continuar engrenado no chica-chica-bum, e não se dar ao luxo de parar e analisar tudo isso. Mas pode ser que pare - nem que seja porque em algum momento, acabou ficando doente de tanto que se excedeu. E aí, em algum momento vai perguntar: o que sobrou disso tudo, o que eu tirei de bom pra mim ?

A noite, as festas, o oba-oba, tudo isso tem seu valor e sua validade; é muito importante ter uma válvula de escape, uma janela aberta para que o ar fresco invada o mofo da sua rotina. Mas é perigoso deixar que esse mundo de fantasia ofusque aqueles que deveriam ser nossos reais objetivos na vida. Jogação não é ponto de partida para lugar algum - no máximo, é uma parada na beira da estrada para um gole de água antes de seguir adiante.

Não me desencaminhei, não fiz nada de que me arrependesse, estou aqui inteirinho para contar história. Mas aos poucos, começo a questionar sobre o que vai acontecer comigo, se esse mundinho vai perder a graça e, caso a resposta seja afirmativa, o que terá graça no lugar disso. Não quero antecipar outras questões que acho que ainda é cedo para enfrentar, mas não deixo de me preocupar em olhar além, e por enquanto esse olhar além não enxerga muita coisa lá na frente.

Hora de mudar o foco.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Frenesi

Não adianta. Todo ano é a mesma coisa. Vai se aproximando a data e elas ficam todas descontroladas. Aonde quer que você vá, na pracinha, na buatt, no Frei Caneca dominical, o papo é um só: o Carnaval. Roupitchas novas pra noite, dietas milagrosas de última hora, ingressos antecipados pras festas e o onipresente estoque de colocón estão na pauta de todas as rodinhas.

A maioria está indo para o Rio de Janeiro. Floripa ainda tem grande procura, mas o sucesso estrondoso de 2005 fez com que em 2006 os barrigas-verdes da ilha resolvessem se auto-valorizar, e os preços simplesmente triplicaram. Tá muito difícil achar alguma coisa boa na ilha por um preço coerente.

Salvador é sempre uma terceira possibilidade, bem bacana mas freqüentemente descartada por quem: 1) não suporta axé e derivados; 2) tem um certo preconceito achando que não vai encontrar gente bonita (ledo engano, posso garantir !); ou 3) não tem dinheiro suficiente para ir pra lá (tem que ser de avião, e se os florianopolitanos aprenderam agora a inflacionar o cha-cha-cha, com certeza foi com os baianos, que há décadas exploram o resto do Brasil no carnaval).

Eu fico com o Rio mesmo. Estou com saudade de viver o carnaval carioca, com as bandinhas, o Bofetada, as festas e aquele clima gostoso que toma conta das ruas e das pessoas. Adoro Floripa, mas passei os dois últimos carnavais lá, e não queria repetir a dose neste ano. E tem aquela história: se chover, babau - não tem nada pra fazer lá, enquanto no Rio eu tenho uma infinidade de opções para todos os momentos, desde os bem-comportados até aqueles que eu jamais revelaria neste blog...

Já comprei passagens, já deixei minha colchonete reservada na casa dos meus anfitriões cariocas, já fiz todos os preparativos imagináveis. Agora, só preciso focar no trabalho por mais quatro dias - o que está sendo a parte mais difícil !

Tchau pra quem fica, e espero ter muita coisa pra (não) contar quando eu voltar !

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Parte 10: conclusão

Aqui termino as minhas homenagens a São Paulo.

Eu quis fazer essa série por dois motivos. O primeiro, como eu disse na introdução, foi pelo fato de que eu sempre externei a quem quisesse ouvir o meu profundo amor pelo Rio de Janeiro, mas nunca dei tratamento parecido a São Paulo, fazendo parecer a muitos dos meus amigos que eu não tinha o menor orgulho da minha cidade, das minhas origens e de ser paulistano. Não os culpo, pois eu sempre volto do Rio meio enfeitiçado e passo alguns dias com a cabeça meio lá meio cá, mas, ainda assim, a verdade é que eles estavam redondamente enganados, e assim resolvi aproveitar o aniversário de 451 anos para mostrar para todos que eu acho São Paulo o máximo SIM.

O segundo motivo é que eu acho que São Paulo precisa de mais manifestações de apreço como essa. São Paulo é uma cidade muito querida (tanto pelos paulistanos como por tantos outros que escolheram viver aqui ou mesmo que vêm passear aqui) mas também muito desmerecida, muito desprezada, muito criticada. Existe uma rejeição muito grande a ela por parte de pessoas de outros Estados, e se algumas das críticas são fundadas em defeitos e pontos fracos que esta cidade efetivamente possui (e que são de conhecimento geral), outros comentários são apenas manifestações gratuitas de puro preconceito, de pessoas que conhecem pouco ou nada da cidade e de seus habitantes e não se dispõem a lhe dar uma chance, a tentar descobrir o seu lado bom e as suas virtudes.

Por isso, São Paulo precisa ser mais defendida pelas pessoas. Sem dúvida, é uma das capitais menos bonitas do País, não só pelos predicados geográficos naturais como pelo próprio uso que fizemos e fazemos do seu espaço. Mas não dá pra esquecer que, se é fácil manter arrumadinha e bem cuidada uma cidade de 700 mil habitantes, o mesmo não se pode dizer de uma megalópole de 18 milhões, que cresce desordenadamente e recebe um incessável fluxo de migrantes sem ter como se preparar para isso. É muito difícil cuidar desse trem todo, gerenciar os problemas e manter a qualidade de vida num nível aceitável. Assim, acho que cada habitante daqui tem seu papel para fazer desta uma cidade melhor, e isso inclui também cuidar da auto-estima dela.

Sou um cara particularmente interessado pelos outros Estados do Brasil (embora conheça apenas as regiões Sul e Sudeste, tenho curiosidade de conhecer todos os cantos do País, bem como seus povos) e, mesmo com pouca experiência de campo, tenho a mais clara consciência de que todas as regiões têm algo de bom para mostrar e oferecer. E essa consciência só cresce na medida em que conheço aqui em SP mais e mais pessoas encantadores vindas de outros lugares. O Brasil é uma colcha de retalhos de diferentes povos, linguagens e culturas, e é isso que faz dele um país tão sensacional. E as pessoas deveriam estar mais abertas a isso, ao contato com mundos, modos de vida e pontos de vista diferentes dos seus.

No entanto, eu vejo que as pessoas ainda estão muito longe dessa consciência. Em minhas andanças tanto pelo mundo real como pelo virtual (em especial nas comunidades do Orkut), eu constato que o bairrismo está mais vivo do que nunca. Em pleno ano 2005, paulistas e cariocas ainda trocam desaforos extremamente violentos, absurdos e irracionais, e que me deixam profundamente entristecido. Mas o bairrismo não se resume à surrada rixa RJ x SP, não! Há também mineiros contra paulistas, paulistas e cariocas contra nordestinos, gaúchos contra catarinenses (e vice-versa), brasilienses contra goianos. É lamentável, porque todos seriam mais felizes se se permitissem receber aquilo que é diferente, fazer trocas e aprender com ele. É uma pena que algumas pessoas tenham uma cabecinha tão estreita e não enxerguem quanta coisa legal elas estão perdendo quando julgam e desprezam aquilo que elas nem sequer conhecem.

Hoje, eu posso dizer que transito em alguns mundinhos e aproveito o que cada um tem de melhor. E me orgulho disso. O segredo reside justamente em estar aberto a compreender o outro, aceitar como ele vive e entender que não há nada de errado em admirá-lo também ! Eu sou o maior fã do Rio e dos cariocas, amo-os sem o menor pudor e se eu ganhasse comissão da Secretaria de Turismo do RJ hoje eu certamente estaria rico, mas isso não faz de mim um paulistano menos orgulhoso ! Muito pelo contrário... hoje eu sou um paulistano melhor, mais vivido e mais descolado, justamente porque o contato com outras realidades me ajudou a entender a minha melhor – e valorizar ainda mais o que existe de bom nela.

Pessoal, somos todos brasileiros! Estamos no mesmo barco: somos irmãos! Por que é tão difícil gostarmos uns dos outros, afinal?

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 9)

São Paulo é a cidade mais novidadeira que eu conheço. Não há um fim de semana sequer em que os paulistanos não sejam seduzidos por coisas novas, filmes novos, comidas novas, músicas novas, idéias novas.

Aqui sempre está acontecendo alguma coisa. Uma mostra de animação gráfica, uma companhia de dança curda, o DJ do momento na cena londrina, uma peça de temática picante. Não é à toa que os guias de fim de semana dos dois principais jornais da cidade têm páginas e páginas e páginas para se consultar.

Nessa selva de mentes criativas, até o hambúrguer foi reinventado ! Ele ainda leva carne de picanha, mas agora é retangular, e vem cortado em três pedaços. Aquele pão redondo banal foi substituído por uma focaccina temperada com alecrim. Pra dar o arremate, por cima da carne suculenta vão mussarela de búfala bem derretida, rúcula fresquinha e uma pasta de tomate seco saborosíssima. Soa bom pra você ? Experimente, arrisque, deixe São Paulo te seduzir com o novo!

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 8)

Em São Paulo, não somos varridos para baixo do tapete.

Aqui temos espaços para conviver. Espaços para nos divertirmos. Espaços para expressar quem somos e o que sentimos.

Podemos continuar sendo uma minoria, mas aqui essa minoria leva 1,5 milhão de pessoas às ruas para mostrar a todos os outros que não há nada de errado com ela. Que, mesmo sendo uma minoria, ela tem valores bons, merece respeito e compreensão, e por isso precisa receber um tratamento mais digno por parte da sociedade.

Com certeza nem tudo são flores aqui, mas nenhuma outra cidade do Brasil é tão tolerante e receptiva para com nossas colegas de classe.

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 7)

A cidade de São Paulo foi agraciada com um clima ameno e agradável.

Se por um lado chove mais do que gostaríamos (sobretudo em épocas em que se espera mais sol), por outro aqui ninguém morre cozido de calor. A cidade não é um microondas gigante, você não põe os pés fora de casa e já fica todo grudento em meia hora.

Dá pra se vestir melhor, dá pra trabalhar em paz, dá pra chegar ao encontro marcado sem estar inteiro melado, dá pra dormir sem ar condicionado (e sem ficar se revirando na cama). E dá também para correr no parque e até pegar uma corzinha, porque aqui também faz alguns belos dias de sol!

Ontem mesmo, em pleno verão (?!), tivemos 16 graus pela manhã! Fez um friozinho super gostoso, deu pra refrescar bem as idéias! Nem preciso dizer que esta noite foi super gostosa pra nanar, dormi como um anjo...

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 6)

Eu não quis falar antes justamente para mostrar que São Paulo não se resume a isso. Mas não dá pra negar que a noite de São Paulo é de longe a melhor do Brasil, e uma das melhores do mundo!

As baladas paulistanas acontecem de segunda a segunda, movimentam milhões de reais por ano e geram um intenso êxodo entre bairros e, em certas ocasiões, até mesmo entre cidades e Estados. Nos nossos grandes festivais de música eletrônica e mesmo nas cada vez mais freqüentes apresentações dos bons DJs gringos por aqui, é comum que as pistas de dança ganhem novos sotaques, ainda que, no final das contas, naquele momento todos falem a mesma língua e estejam unidos por um mesmo ideal.

Na noite de Sampa tem de tudo: black music, rock, forró, reggae, MPB, hip hop. E, claro, muita música eletrônica. Que percorre todos os espectros, desde as “danceterias” da playboyzada maurícia – onde herdeiros de haras e patileusas de echarpe de oncinha vibram ao som de Lasgo e outros lixos de FM que são o Cup Noodles da música eletrônica – até os clubes e afterhours mais underground, onde a segmentação musical já avançou tanto que há noites específicas de electrorock, discopunk, hard techno e minimal house.

Se a balada é boa, não falta pique para enfrentar o trânsito, as filas na porta ou a chapelaria cheia. Somos todos clubbers profissionais, patenteamos todas as receitas de jogação que os outros centros vão seguir, e se o chillout comer todo o dia seguinte, não tem importância: aqui ninguém vai perder a praia mesmo...

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 5)

São Paulo nunca te deixa na mão. Nem mesmo em plena madrugada. Não importa se lá fora está caindo uma chuva torrencial ou fazendo um frio de 8 graus – São Paulo dará aquilo de que você precisa, na hora em que você precisar.

Se você resolver comer um filé ao molho mostarda às 4 da manhã, você terá onde ir (e mais de uma opção, diga-se). Se bater uma vontade de alugar um DVD, comprar uma revista inglesa, fazer sexo, jogar bingo ou arriscar uma aula de step, é só levantar a bunda da cadeira e sair pra rua – você certamente encontrará outras pessoas fazendo a mesma coisa.

Afinal de contas, ninguém precisa fazer suas vontades esperarem só porque é madrugada. Não em São Paulo... :)

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 4)

Em poucas cidades do mundo se come tão bem como aqui. Os paulistanos possuem verdadeira devoção pela comida. Veneram bons restaurantes, tratam os melhores chefs como semicelebridades e fazem do ato de comer fora um programa por si só. O que não é difícil, já que a cidade possui uma gama infinita de opções para todos os gostos e bolsos, desde as churrascarias mais rústicas e ugabuga até os mais moderninhos restaurantes de cozinha contemporânea.

Entre inúmeras outras cozinhas praticadas em Sampa, a italiana merece destaque especial. A maciça imigração italiana ocorrida no início do século passado influenciou o sotaque de bairros inteiros (sobretudo a Móoca, que é o único lugar da cidade onde todo mundo fala igual ao Faustão) e, mais do que isso, desenvolveu uma tradição culinária muito peculiar, que modificou as receitas, tornando os pratos muito mais gostosos do que os que se servem na própria Itália.

E isso não é fanatismo meu! Enquanto na Itália a pasta é servida com um pingo de molho por cima e fica seca e sem sabor, aqui não se economiza em nada: o macarrão vem nadando no molho, e esse molho é tão saboroso que os mais afoitos até raspam o que sobrou no prato com nacos de pão italiano.

E a pizza, então??? A pizza a taglio italiana é alta, massuda, com um molho azedo e pouquíssimos ingredientes por cima. Mais parece uma torta salgada dessas de forno. Muito diferente das sedutoras redondas que lotam as mesas paulistanas, generosamente cobertas com molho de tomates frescos e bem temperados, a mussarela derretendo na boca, o delicado diálogo entre o manjericão, o orégano e o alho.

Nenhum turista que se preze pode deixar de se esbaldar em alguma de nossas boas cantinas e pizzarias, que são verdadeiras instituições da cidade. Só não espere consenso sobre quais as melhores: assim como acontece no Rio com os célebres botequins e as casas de suco, aqui não há unanimidade. Uns curtem as pizzas grossas do Speranza e do Castelões, outros não trocam as fininhas do Camelo por nada. Uns gostam das trattorias do Bixiga, outros não passam nem perto e preferem a cozinha esmerada dos restaurantes italianos dos Jardins, de Pinheiros e da Vila Madalena.

E depois, é só queimar tudo na esteira de uma boa academia de ginástica!!!

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 3)

Não bastassem todas as facilidades e maravilhas que oferece, São Paulo é ainda habitada por cidadãos adoráveis! :)

Pra começo de conversa, nós paulistanos somos mais do que corpos: temos conteúdo. Não somos pessoas óbvias, fugimos do lugar-comum. Cultura é algo que nos agrada e que buscamos por prazer e não para constar no nosso currículo. Não nos limitamos à televisão (e não somos baba-ovo da Rede Globo). Gostamos de ler, amamos cinema mais que tudo, damos uma espiada no mundo das artes aqui e ali. E consumimos informação avidamente. Sabemos de tudo o que acontece em Ipanema, no Village e também em Pequim. Não vivemos fechados na nossa cidade, olhando para nosso umbigo, limitados aos valores do nosso mundinho: temos um genuíno interesse por outras cidades, outros mundos, outras culturas, outros valores. Isso amplia nossos horizontes, e faz com que cada pessoa nova que você conheça seja uma completa surpresa, e nunca mais uma na multidão, com um papo previsível e sem opiniões próprias.

Não há dúvida de que temos atitude, e também estilo. Aliás, estilos. Uns trezentos estilos. Até porque somos 18 milhões, vivendo em uma infinidade de ambientes possíveis, com vários tipos de background. A fauna de São Paulo é uma das mais heterogêneas do mundo. Gostamos de poperô, chorinho, música clássica, forró, heavy metal, bossa nova e trance psicodélico. Também entram no nosso cardápio maracatu, deep house, reggae, MPB, drum n’bass e até funk carioca. Catalogar todas as tribos daria um trabalho danado e jamais pararíamos para fazer isso, pois cada vez mais acreditamos que não precisamos de rótulos, quando podemos muito bem transitar entre tribos, experimentar coisas novas e criar cada um o seu caldo de referências. Com personalidade.

Somos pessoas sérias, idôneas e responsáveis. Nossa palavra tem valor, honramos nossos compromissos, não só no campo profissional como também na seara das relações pessoais, que conduzimos com respeito, lealdade e confiança. Não somos levianos para com os outros. Valorizamos os nossos amigos. Damos muito de si, abrimos nossa casa, nossa intimidade, nossa vida pra eles. Nossa amizade é profunda e duradoura. Não é oba-oba de praia, não é descartável, não é superficial. Aliás, abominamos a superficialidade ! Não somos os reis da popularidade, preferimos qualidade. Quando você precisar de seu amigo paulistano, pode deixar que ele estará lá por você.

Somos muito bons no que fazemos. Esta é uma terra de profissionais. A comida é extremamente bem-feita. A noite não é tocada por amadores. Existe infra-estrutura, existe capricho e muita preocupação com os detalhes. Não usamos a irreverência e o improviso para mascarar a falta de cuidado. Porque aqui não se faz nada com as coxas: as pessoas acreditam no que fazem e procuram fazer bem-feito. Porque o trabalho para nós é parte da nossa identidade, parte do que somos, e não apenas uma atividade qualquer que pague o aluguel com o mínimo esforço possível.

E claro que todo esse caldo de valores só se enriquece com a presença ilustre de brasileiros de todos os outros cantos, sejam eles cariocas, pernambucanos, gaúchos, baianos, paraenses, mineiros... pessoas que vêm somar esforços, unir talentos, emprestar idéias, pessoas que absorvem um pouco da essência da cidade e que deixam aqui um pouco de sua beleza e de suas cores. Que são fundamentais para que São Paulo tenha o brilho que possui. São Paulo é feita de todos esses povos e eu gosto de todos eles, de verdade.

Eu amo ser brasileiro e tenho muito orgulho de ser paulistano!

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 2)

São Paulo não é uma cidade fácil. Não se gosta dela de imediato. Sua beleza não é nada óbvia. Enquanto o Rio tem cenários maravilhosos que te conquistam na hora, enquanto a maior parte das capitais nordestinas tem uma orla convidativa e emblemática, São Paulo não tem nenhum canto com que o turista se identifique e simpatize num primeiro contato. Não dá pra falar, por exemplo, que quem pisa na Avenida Paulista pela primeira vez é acometido por um arroubo violento de amor à primeira vista...

A questão é que, assim como na obra de Antoine de Saint-Exupéry, o essencial de Sampa é invisível aos olhos. São Paulo tem SIM toda uma beleza, toda uma poesia, todo um sentimento, toda uma dinâmica que é bonita pra caralho e que consegue até ser harmoniosa. Mas isso tudo é algo que precisa ser VIVIDO, não aparece à primeira vista. Com o tempo, com a convivência, a cidade vai mostrando todo o seu charme, exatamente como aquela menina que não se encaixa nos padrões estéticos, que não rouba olhares por onde passa, mas por quem você acaba se apaixonando depois que começa a conviver e tem a chance de conhecer melhor.

A primeira reação de todo forasteiro é buscar uma atração típica, clássica, como uma torre, um mirante, um monumento, algo que sirva de símbolo e resuma a cidade. OK, São Paulo tem os seus ícones, o Copan, o MASP, a linha de prédios da Paulista, o Monumento às Bandeiras (também conhecido como "Deixa-que-eu-empurro"), o lago do Ibirapuera com seus chafarizes ornamentais, a Catedral da Sé... mas depois desse primeiro contato, o iniciante verá que não é isso que importa. O verdadeiro barato de São Paulo são simplesmente seus bairros, seus cantos, lugares anônimos num primeiro momento mas que são verdadeiras experiências a serem vividas.

São Paulo não tem um corpinho bonito, mas tem alma. E dentro dessa cidade, cada bairro também tem sua própria alma. Que você só consegue captar andando por suas ruas, reparando sem pressa nas casas, nas árvores, conhecendo e interagindo com as pessoas. Há bairros festivos, bairros melancólicos. Bairros efervescentes e bairros serenos. Mas todos com personalidade. E cada um mais adequado para um momento, um estado de espírito.

Os incautos se atém a Cerqueira César, a dita área nobre dos Jardins que reúne grifes internacionais de roupas, restaurantes, frisson e badalação. Que é mesmo uma delícia, e tem dias em que nada cai melhor do que um bom sorvetinho na Haagen-Dazs ou um café com petit-fours na Cristallo, depois de uma tarde de vitrines e bate-papo. Ou um jantar bem animado no Spot. Mas SP é muito mais do que isso. Como não se render ao charme da Vila Madalena, um bairro descolado sem ser afetado, bacana sem ser pretensioso, que encontra um raro equilíbrio entre estilos, e que consegue ser diferenciado sem jamais perder a simplicidade ? Com bares e restaurantes deliciosos, lojas e ateliês com gostinho de garimpo, e ruas tranqüilas com um certo quê de interior.

O Alto de Pinheiros, a Granja Julieta e o Campo Belo, com sua excelente qualidade de vida, ruas largas e totalmente arborizadas, belíssimas casas, praças onde a serenidade reina e as crianças podem brincar em paz. Os apartamentos antigos e enormes de Higienópolis (com a opção mais em conta da vizinha Santa Cecília). A região de Perdizes e Sumaré, com suas ladeiras íngremes e vários prédios bons pra se morar (a região ao redor da MTV é um dos meus xodós!). O Paraíso, que consegue ser pacato mesmo estando encostado na Avenida Paulista. O Itaim e a Vila Olímpia, com seu pique adolescente. A Vila Mariana, talvez um dos bairros de classe média mais queridos e sentimentais que possa existir. A Lapa, com suas ruas com nomes curtinhos como Tito, Roma e Catão e seu casario antigo entre as árvores, que emana uma ponta de melancolia. A Bela Vista, com seu espírito boêmio e sua babel humana que remete a Copacabana.

Mesmo fora do filé mignon mais central da cidade, há outros cantos agradáveis, de norte a sul. Bairros como Santana, Belém, Tatuapé, Ipiranga, Saúde e Jabaquara, entre outros, têm áreas boas para se morar com preços mais camaradas. Aqui há uma multiplicidade de opções, não são apenas cinco bairros que prestam. É uma cidade inclusiva, onde dá pra começar a vida. E adotar sua padaria predileta, sua praça mais querida, seu mercado mais barateiro, seu shopping mais conveniente, seus bares do coração – e seus amigos do peito, porque as amizades aqui são feitas pra durar.

E assim pude enumerar um montão de áreas aprazíveis de São Paulo sem em momento algum precisar falar no parque do Ibirapuera. Porque São Paulo é muito mais do que isso. E não dá pra eu te dizer aqui tudo que ela é. São Paulo tem que ser descoberta. Parabéns São Paulo!!!

Porque tenho orgulho de ser paulistano (pt. 1)

[Série de textos publicada originalmente no meu fotolog e depois transcrita pro blog].

O fato de que eu amo de paixão o Rio de Janeiro não é segredo para ninguém que me conhece. Nem mesmo para os que não me conhecem, porque neste Fotolog sempre mostrei uma profusão de fotos da Cidade Maravilhosa - sempre guarnecidas por comentários pra lá de exaltados. Afinal, eu realmente gosto muito de estar naquela cidade, gosto muito de certos elementos (não todos, diga-se) do lifestyle carioca e aprendi a entender os cariocas e apreciá-los do jeito que eles são, sem querer mudá-los em nada.

Não foram poucas as vezes que recebi comentários enciumados de amigos meus que, mesmo sem desgostar do Rio (ou até mesmo também gostando do Rio) não partilhavam dos meus sentimentos e do meu ponto de vista e acabavam se cansando de tanta adoração ao Rio de minha parte. “Pô, que saco, então por que vc não muda logo pro Rio de uma vez ???”

Eu sempre tive bem claro para mim mesmo o meu amor por São Paulo. Mas, pensando bem, eu acho que não tenho externado esse amor com a mesma freqüência e intensidade que tenho mostrado a minha paixão pelo Rio. Uma parte disso com certeza é pelo fato de que o Rio rende mais fotos pro meu Fotolog, seja pelas suas virtudes estéticas exuberantes, seja pelo fato de que lá eu levo uma vida de turista e estou sempre com minha câmera no bolso, o que não acontece aqui. Em Sampa a gente está sempre correndo, sempre com um objetivo, e acaba parando menos pra contemplar o que está ao nosso redor.

Mas chegou a hora de fazer justiça com os meus. Amanhã esta cidade incrível faz 451 anos de idade, e resolvi homenageá-la não com um, mas com vários posts falando sobre ela e sobre o que ela significa pra mim e mostrando por quê, apesar de tudo, São Paulo ainda reina soberana no meu coração.

(AH SIM: por favor não interpretem meus próximos posts como comparações com o Rio, porque NÃO é essa a idéia, OK ???)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Feliz aniversário Dona Sampa ! 452 anos

Parabéns à minha querida cidade por seus 452 anos !!!

Eu posso ser fissurado pelo Rio e fã de Buenos Aires, mas é São Paulo o meu lugar, a minha mãe, a cidade que me educou e criou o Thiago que vocês conhecem hoje. As coisas que eu falo, as coisas que eu como, meu jeito de me relacionar com os outros, meus pontos de vista, meus hábitos, meus gostos e minhas manias, tudo isso vem do fato de eu ser paulistano - se eu tivesse nascido em qualquer outro lugar, com certeza o resultado teria sido bem diferente !

São Paulo não é uma cidade para todos. É mais fácil gostar da beleza embasbacante do Rio, da civilidade asséptica de Curitiba, da hospitalidade dengosa de Salvador. São Paulo não revela seus tesouros a qualquer um. É preciso saber conhecê-la, desarmar-se de preconceitos e estar aberto a senti-la e desvendá-la. Porque sua riqueza e sua beleza não são visíveis com os olhos, são visíveis apenas com o coração. Só quem sabe (e quer) ver além descobre uma cidade interessantíssima, completa, gostosa, acolhedora e sobretudo muito humana, que tem muito a oferecer e que pode fazer muito felizes seus habitantes e visitantes. E, aos sortudos que chegarem lá, Sampa reserva todas as surpresas boas que vêm quando se conquista uma pessoa amada e, com ela, sua cumplicidade. São Paulo é minha cúmplice, cúmplice em tudo aquilo que sou e que sonho. Viva São Paulo!!!

No aniversário de 2005, fiz uma homenagem em 10 textos seguidos, explicando as razões que me fazem ter orgulho desta cidade e de ser paulistano. Vou postá-los a seguir.