sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Thiago Introspective agradece a preferência em 2007!

É tempo de balanços e retrospectivas pelos sites e blogs afora. O Mix Brasil fez a mais completa: falou das personalidades que se destacaram, das noites e festas do ano, dos micos e uma porção de outras coisas. A Capa apostou no mesmo formato do sobe-e-desce que eu uso em vários posts do meu blog. Tony Goes já falou sobre as músicas, os filmes, as noites e até as frases (!) de 2007. Italo imortalizou as coisas mais legais de seu universo com vários troféus, como Diva do Ano e Bomba do Ano. E o Carioca Virtual preferiu dedicar sua retrospectiva às pessoas que marcaram o ano dele (só as mais especiais, tipo umas 3.786, né Marcos?).

Bem, eu não vou fazer aqui meu balanço de 2007. Até porque eu não saberia fazer isso de uma maneira diferente da minha usual: um texto de uns dezesseis parágrafos. E uma das minhas promessas de ano novo é justamente fazer textos menos longos aqui. 2007 foi "too much information" em várias áreas, desde a política nacional tomada por escândalos até a noite cheia de novidades, com festas babadeiríssimas e clubes novos/reformados não só no eixo SP-Rio, mas também em Brasília, BH, Salvador e Curitiba. Para falar de tudo pela metade, prefiro não falar - e recomendar que vocês acessem os sites e blogs que eu citei acima, todos eles parte de minhas leituras virtuais diárias.

Em vez disso, vou falar um pouco deste blog. Ele não foi criado em 2007, mas foi neste ano que meus textos realmente "vieram ao mundo". Até novembro de 2006, eu só usava este espaço para colar os textos que, vez ou outra, eu escrevia no Fotolog. Não o divulgava por aí, até porque isto não era efetivamente um blog, mas quase um arquivo virtual de textos - muitos deles em tom de diário, que não eram mesmo do interesse de mais ninguém (talvez eu tire daqui esses posts mais antigos, não sei). Quando decidi finalmente correr atrás do que gostava e prestei vestibular para jornalismo, passei a ver este blog como uma ferramenta para me forçar a escrever com disciplina, ritmo e freqüência, o que me ajudaria bastante como jornalista. E aí comecei o blog "de verdade".

E o retorno que eu tive aqui me deixou muito feliz. As pessoas foram descobrindo o blog aos poucos, deixando algum comentário, voltando depois... outros blogueiros apareceram, começamos a trocar idéias, participamos nos espaços uns dos outros, e de repente eu já tinha um universo bem legal de leitores. Que nunca primou pela quantidade (meus recordes foram cerca de 400 acessos num único dia e 39 comentários num único post), mas sempre pela qualidade - quem lê e gosta deste espaço deixa sempre comentários inteligentes e de ótimo nível (inclusive as críticas ao que escrevo). Encontrei aqui o estímulo que precisava para escrever mais, melhorar meu texto, tentar imprimir nele sempre minha marca pessoal - e acreditar mais no Thiago jornalista que estava nascendo. Melhor ainda: conheci pessoas incríveis, fiz bons contatos e ótimas amizades que estou levando comigo para 2008.

Por isso, encerro 2007 com um agradecimento a todos aqueles que me descobriram, me leram, me acompanharam, me prestigiaram, me elogiaram e também me criticaram. Escrevo pelo simples prazer de escrever, mas a presença, o interesse e o retorno de vocês tem tornado isto muito mais divertido. Hoje, o blog é uma das alegrias do meu dia, e espero que em 2008 continue me trazendo muitos bons frutos. Um excelente ano novo para todos vocês!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Tudo o que você pode fazer no Rio no dia 31

Depois de um ano bastante movimentado para a cena, os cariocas se despedem de 2007 com um número recorde de opções para a noite do dia 31. Nunca se teve tantas festas para escolher - confesso que até eu estou um pouco perdido diante de tanta informação. Aqui vai um apanhado das principais possibilidades para a hora da virada, com os prós e contras de cada uma, para ajudar a todos nessa difícil decisão... muita calma nessa hora!

1) THE WEEK
Pode ser uma boa. Escolher a TW é jogar no seguro: optar pelo conforto e segurança de um clube com boa estrutura, ar condicionado e bares que funcionam a contento, além do serviço atencioso e bem-treinado. A parte nova da casa é um atrativo extra e permite que a comemoração vá até tarde.
Por outro lado... É preciso ter disposição para cruzar a cidade no dia 31, com Copacabana e o Aterro fechados a partir da tarde. O acesso à Saúde não deve ser fácil, mesmo pelo Túnel Rebouças e com a TW oferecendo vans gratuitas para o transporte. Além disso, a casa abre todo sábado e já fará uma Cosmopolitan especial na noite do dia 29 - por isso, o Réveillon lá não terá nenhum grande diferencial, a não ser (mais uma) atração gringa.

2) RÉVEILLON IPANEMA 2008 (hotsite)
Pode ser uma boa. A festa promovida por André Garça (Cena Carioca) aposta em DJs experientes da cena tribal nacional, como Marcus Vinicius (B.I.T.C.H.), Patricinha Tribal, Aless (BH) e André Queiroz (DF), um prato cheio para fãs do estilo. O buffet inclui comida japonesa - temakis são leves, nutritivos e fáceis de comer. A localização é estratégica (Vieira Souto com Farme) e você ganha uma pulseira para sair e voltar quando quiser, podendo conferir também o fervo na praia.
Por outro lado... R$ 300 é um preço alto, se você considerar que o antigo Espaço Lundgren é uma casa relativamente pequena e pouco funcional para festas. Outras opções com o mesmo foco (house tribal) devem roubar parte do público, cobrando menos (The Week, Sky Lounge).

3) SKY LOUNGE
Pode ser uma boa. O réveillon de Rosane Amaral tem relação custo-benefício interessante, se comparado com outras opções na Zona Sul. O acesso não chega a ser dramático - a interdição da orla deixa o trânsito na Lagoa carregado, mas ainda assim o Sky é relativamente perto. E a festa já tem uma certa tradição, conquistada com a ajuda dos "passaportes", ingressos promocionais que dão acesso às 3 festas da Rosane por um preço menor.
Por outro lado... O line up é animado, mas não chega a emocionar - Vlad e Flávio Lima são duas delicinhas, mas seus únicos predicados à disposição do público serão os musicais. Além disso, edições anteriores foram bastante criticadas por conta de soluções caseiras, como sacos de lixo preto para diminuir a claridade, e da política de preços progressivos para a água mineral (que chegou a R$7 no meio de uma festa).

4) HOTEL CARNIVAL (hotsite)
Pode ser uma boa. Para quem curte um som mais underground, o line up estrelado (Pareto, Mau Lopes, Serge) é uma bênção em meio a um cenário dominado pelo house tribal. O cenário é maravilhoso - uma mansão tombada no meio da Mata Atlântica, com lindas vistas da cidade - e o buffet promete caipirinhas sofisticadas e até ceviche. A nata dos modernos da cidade estará lá.
Por outro lado... Você passará por maus bocados se cismar de voltar para casa antes da hora. A casa fica no alto de Santa Teresa, numa área que estará totalmente isolada do resto da civilização, incluindo táxis (a idéia é essa). E outra: você se deprime vendo as barbies tombando de G no fim da festa? Isso é porque você não sabe o que são os modernos ficando bicudos de padê...

5) DREAM 2008 @ FELICE CAFFÈ
Pode ser uma boa. A localização é excelente, a poucos passos da praia de Ipanema, do Arpoador e do Posto 6 em Copa. A comida oferecida é mais do que confiável (embora seja menos elaborada do que o usual, já que a idéia da casa é justamente ganhar dinheiro com essa festa). Rafael Calvente deve tocar um som mais fino do que o das festas dedicadas ao tribal, já que a proposta aqui é mais selecionada (pelo valor da entrada e pelo próprio público da casa).
Por outro lado... R$300 é bastante salgado pelo limitado espaço da casa, mesmo contando com a extensão improvisada para a rua (o Felice fechará todo o quarteirão para a festa). Além disso, a peneira do preço não necessariamente dará a selecionada que você gostaria - a casa receberá todo tipo de cliente do restaurante, e não só as bees (que estarão pulverizadas entre várias outras opções).

6) WONDERLAND IN RIO @ IPANEMA PLAZA
Pode ser uma boa. O Ipanema Plaza é um hotel de alto nível e não parece ser do tipo que economiza no réveillon. No mínimo, a festa valerá pelo terraço, com uma vista absurda de Ipanema. A escalação de Rafael Calvente para tocar sinaliza uma preocupação em não fazer algo totalmente careta. É grande a chance de você encontrar gringos lindos - se esse é seu alvo, você deve considerar com carinho a opção.
Por outro lado... O preço (R$400) é ainda mais exorbitante do que o das festas "caras". Você precisa se dar muito bem por lá para o investimento valer a pena. E essas festas são freqüentadas basicamente por panelinhas fechadas - isso quando não é uma panelinha só. Ou seja: é preciso ter carão, corpão, inglês bom - e muita vontade de conhecer e ser aceito pelos gringos.

7) DUO @ LOUNGE 69
Pode ser uma boa. Poucas informações foram divulgadas até agora (o Cena Carioca apenas mencionou na agenda), mas pode ser uma opção low profile bem interessante, se os preços não forem astronômicos. O som fica por conta de Rafael Calvente (o belo está em todas!), Tzo (00 e Redondo Lounge) e dois DJs gringos. Quem conhece o 69 diz que é um "D-Edge genérico" - o projeto é do Muti Randolph, o mesmo que criou as barras de néon coloridas do clubinho paulistano. A festa semanal de house Maja mudou-se pra lá.
Por outro lado... Por mais que o lugar e o line up houseiro sugiram um clima fofo, não dá pra imaginar que essa seja uma noite "escândalo", considerando tantas outras festas acontecendo ao mesmo tempo. Se seu desejo para a virada é bombação, aqui provavelmente vai faltar gás para você.

8) FOGOS EM COPACABANA
Pode ser uma boa. O réveillon na praia de Copacabana é uma das maiores festas de rua do mundo. É emocionante, a começar pelo êxodo de milhões de pessoas vestidas de branco em direção ao bairro, numa euforia silenciosa, um crescendo que culmina em uma explosão de energia, uma verdadeira catarse coletiva. Você precisa viver isso pelo menos uma vez na vida. Além disso, é de graça e depois você pode ir para outro lugar.
Por outro lado... Como em qualquer evento de massa que atrai milhões de pessoas, o desconforto é total, com momentos que beiram o caos. É fácil se perder dos amigos e impossível marcar pontos de encontro; o celular, inexplicavelmente, não pega. Precisa ter muito cuidado com roubos e furtos (a maioria não resiste e leva a câmera para tirar fotos dos fogos) e com as brigas por conta do inevitável excesso de álcool. E também gostar de estar entre o "povão", sem preconceitos.

9) IPANEMA STEREO BEACH @ POSTO 9 (hotsite)
Pode ser uma boa. Tá aí um jeito diferente de começar o ano: dançando música eletrônica na praia, numa mistura de festival e rave na areia. Os mais esotéricos dizem que entrar o ano com o pé descalço na areia, na beira do mar, atrai ótimas energias e fluidos. É de graça e não tem como ficar vazio. A localização no Posto 9 ajuda a atrair meninos bonitos e desencanados de Ipanema e imediações - pelo menos em tese.
Por outro lado... As atrações mais legais (pelo menos para quem curte house) rolam todas antes da meia-noite - o evento começa às 16h. E quem lembra de toda a confusão ocorrida no ano passado (aquilo virou uma grande maloca) com certeza vai passar bem longe da praia de Ipanema dessa vez.

10) JANTARES NOS RESTAURANTES DA AVENIDA ATLÂNTICA
Pode ser uma boa. Os restaurantes da orla de Copacabana fazem jantares especiais na noite do dia 31, com buffet diferenciado e open bar, a um preço fixo (cerca de R$300 por pessoa). Suas mesas na calçada são cercadas por seguranças (só entra que fez reserva) e viram uma espécie de camarote, de onde se tem uma visão cômoda e protegida do show de fogos. Se você lembrar que outras festas cobram o mesmo valor para servir belisquetes e finger food, uma ceia "de verdade" é muito mais retorno pelo seu dinheiro.
Por outro lado... O público dessas festas reúne casais, famílias e idosos endinheirados - uma fauna bem pouco interessante para jovens e/ou gays. Ao beijar e abraçar seu namorado e seus amigos na hora da virada, você possivelmente deixará o pessoal das mesas em volta completamente passado.

11) FESTINHAS PRIVÊ EM APARTAMENTOS
Pode ser uma boa. Festinhas em apartamentos alugados podem ser uma alternativa confortável e intimista para a virada. Dá para curtir e conversar bastante com os amigos e também com as outras pessoas que você poderá conhecer. Se o apê for na orla, melhor ainda: você assiste ao espetáculo dos fogos de camarote. Há um rateio, mas costuma ser bem mais barato do que a entrada de festas "comerciais" - já que, em geral, o dinheiro é só para a festa pagar as próprias despesas.
Por outro lado... Você fica totalmente limitado às pessoas presentes. Se forem só os seus amigos, ótimo. Agora, se tiver gente estranha no meio (o que é mais comum, pois o aluguel desses apartamentos costuma ser caro), pode dar ou não dar "liga". De qualquer maneira, nada te impede de ir terminar a noite em outro lugar.

12) LE BOY
Pode ser uma boa. Se quantidade é o que importa, você nem deveria ter lido as outras onze opções: a veterana "Lelê" é o seu lugar. Não interessa quantas outras festas estejam rolando: no inferninho (infernão?) da Raul Pompéia a lotação é sempre completa, com filas dobrando a esquina e chegando até a Nossa Senhora. Garantia de beijo na boca e pegação - o dark room da casa possui fama internacional. Fora da residência das festas da Rosane, o fortão Dudu Marquez ajudará a pista a bombar.
Por outro lado... Qualquer "macaca véia" sabe que o clima na Le Boy é meio pesadinho - com muitos michês, gringos perdidos e, seguramente, a maior taxa de incidência de boa-noite-cinderelas do Rio de Janeiro. Sem falar que o clima é altamente bagaceiro - as "bonitas" consideram muitas outras opções (The Week, Sky Lounge, festas caras) e só caem na LB em caso de necessidade e pela localização conveniente da casa. Afinal, bem ou mal, ali todos sabem exatamente o que vão encontrar.

Ou seja: com tanta coisa acontecendo, o jeito é olhar para dentro de si e responder: de que tipo de comemoração eu estou realmente a fim? Vale lembrar que, se você se jogar no dia 28, no dia 29 e no dia 30 (festas não vão faltar), provavelmente chegará à noite do dia 31 completamente destruído - nesse caso, vale a pena investir numa festa cara? Mais importante do que todas essas divagações, porém, é descobrir onde os amigos estarão. Porque, na companhia das pessoas de quem se gosta, qualquer réveillon acaba sendo um programão.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Comidinhas, parte 2: jantares que devem bombar

No dia 3 de dezembro, escrevi um texto falando das comidinhas que prometiam virar mania no verão carioca. Ficou faltando a parte 2, com minhas apostas para a hora do jantar. O Rio de Janeiro tem um circuito gastronômico muito rico; eu teria uma porção de lugares para recomendar aqui. Mas minha idéia não é fazer um mini-guia, e sim especular sobre quais restaurantes devem bombar entre o público gay. Afinal, nem todo mundo agüenta meter o pé na jaca nas festas por cinco dias seguidos; nas noites de trégua, um bom jantar com os amigos cai superbem - de preferência onde também se possa ver e ser visto. Mas onde ir para comer e badalar?

O mais novo candidato a jantar-com-fervo-do-verão-2008 é o Atlântico. Tony se empolgou e chamou a casa de "Spot al mare", em alusão ao restaurante mais badalado de São Paulo. Apesar de achar que quem cumpre o papel do Spot no Rio é o Sushi Leblon, tenho que concordar que o Atlântico anda bastante movimentado, com uma mistura barulhenta de casais, gringos e gays. Mas o cardápio não me convenceu. Tem bons petiscos do mar, como ostras, caldinhos e robatas, mas nenhum dos poucos pratos quentes realmente chamou minha atenção (o que pode ser mais sem-graça do que peito de frango recheado de copa com purê de batatas?). E as porções são ridículas, especialmente pelo preço cobrado. Eu diria que é um lugar muito bom para beber (os drinks são deliciosos e o lounge na parte da frente é perfeito para acompanhar o entra-e-sai), mas não para comer.

Meu jantar preferido foi por muitos anos o Bar d'Hôtel. O ambiente colorido e a vista para o mar continuam os mesmos, mas alguma coisa se perdeu - o lugar ainda lota cedo, mas o público está mais careta e a cozinha não tem mais o mesmo brilho da época em que era pílotada pela chef Danielle Dahoui. Hoje, meu contemporâneo favorito é o Zazá Bistrô. Que também é 100% gay friendly, mas tem um clima mais intimista. O lugar tem poucas mesas, luz baixa e os já clássicos almofadões no andar de cima. Serve pratos cada vez melhores, mas é mais adequado para ir a dois do que para ver e ser visto. Mais romântico que ele, só mesmo o Copa Café.

Outros lugares muito bons de comida, mas que deixam a desejar quando o assunto é fervo gay, são o Bazzar e o Miam Miam. O Bazzar tem um cardápio variado e bem executado, mas encaretou de vez - se fosse novela, seria o restaurante em que, digamos, Yoná Magalhães, Marieta Severo e Rosamaria Murtinho iriam jantar com os maridos. O Miam Miam ainda tem o seu hype e também é bem friendly, mas, até por estar localizado em Botafogo, atrai um público meio "Santa Teresa demais" para quem quer badalar.

O que fazer, então? A solução está no bom e velho Felice Caffè - antigo hit de Ipanema que, depois de alguns anos fechado por uma briga entre os sócios, voltou com tudo no mesmo sobradinho de sempre. Lá pelos idos de 2000/2001, o Felice fazia as vezes de "Ritz carioca": era onde todo mundo passava para jantar, tomar um drink e ver os amigos. Curiosamente, o tempo parece não ter passado para a casa: as mesas continuam ostensivamente gays, a brisa entra fresca pela varanda disputadíssima e o sorvete de iogurte com frutas silvestres ainda é a melhor pedida depois de um jantar leve e gostoso - o cardápio está ainda mais versátil, vai de atum grelhado na crosta de gergelim a penne com creme de leite, gorgonzola e tomates secos. Não tem como errar.

[Endereços. Atlântico: Av. Atlântica, 3008, Copacabana. Sushi Leblon: Rua Dias Ferreira, 256, Leblon. Bar d'Hôtel: Hotel Marina All Suites, Av. Delfim Moreira, 696, Leblon. Zazá Bistrô: Rua Joana Angélica, 40, Ipanema. Copa Café: Av. Atlântica, 3056, Copacabana. Miam Miam: Rua General Góis Monteiro, 34, Botafogo. Bazzar: Rua Barão da Torre, 538, Ipanema. Felice Caffè: Rua Gomes Carneiro, 30, Ipanema].

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Vem aí mais um verão de muita jogação

Estamos a poucos dias da estação mais aguardada do ano - é tempo de sol, praia, gente nova e muita festa. Para quem gosta de dançar, o verão tem um atrativo extra: a programação eletrônica costuma esquentar no mesmo ritmo dos termômetros. Afinal, nessa época as pessoas têm pique extra para se jogar.

Como sempre, São Paulo dá uma acalmada e o foco passa a ser o Rio de Janeiro. Mas há cada vez mais coisas acontecendo em Santa Catarina, e esse verão também deve ser bastante agitado por lá. Aqui vai um resumo das principais festas que estão por vir.

RIO DE JANEIRO

Foi-se o tempo em que tudo girava em torno da X-Demente, a mãe das label parties do Brasil. A apenas 10 dias da data da tradicional Check In, a produção ainda não soltou o line up, nem sequer confirmou a realização da festa - o que não cheira nada bem. Com isso, as atenções se voltam para o duelo entre a The Week Rio e as festas de Rosane Amaral - o clube e a produtora baterão de frente nos dias 29, 31 e 1. A TWRJ acaba de inaugurar sua expansão: com pista 2, lounge e deck com micropiscina, a casa finalmente passa a ter o mesmo porte da TWSP e a possibilidade de receber day parties (mais detalhes aqui). Já Rosane aposta em uma nova (e ótima) locação para a R.Evolution do dia 29 (o Clube de Remo do Flamengo, na Lagoa) e nos demais dias repete o de sempre: R.Evolution Réveillon no Sky Lounge e Pool Party no Clube de Regatas (não consigo deixar de achar esse espaço uó; quem mandou ela fazer aquelas festas inesquecíveis na Estação do Corpo em 2006?).

A noite do dia 31 tem opções para todos os gostos. Além da TW e R.Evolution, há festas no Felice Caffè, Espaço Lundgren (festa oficial do Cena Carioca), Ipanema Plaza e Hotel Ouro Verde - todas com open bar, buffet, DJs e ingressos antecipados a partir de R$300. Os modernos têm destino certo: a Hotel Carnival, festona num lindo casarão tombado no alto de Santa Teresa, com vistas incríveis do Rio, open bar e buffet, top DJs da cena (Pareto, Maurício Lopes, Serge) e ingressos a R$ 130 (2º lote). Quem não quiser mais gastar dinheiro pode curtir, de graça, as atrações do Ipanema Stereo Beach - espécie de luau eletrônico coletivo que, pelo segundo ano consecutivo, levará o caos às areias do Posto 9.

Se as barbies cresceram esperando pela X-Demente, os modernos aprenderam a aguardar a Moo - festa que reúne a nata dos descolados da cidade e já trouxe gente como Derrick Carter, Magda e Richie Hawtin para tocar. A Moo está cada vez melhor e, neste verão, vai se juntar aos nossos queridos clubes D-Edge e Vegas para um projeto ainda mais bacana: o FASE. Serão várias festas até o final de fevereiro, sempre aos sábados, tendo como locação as Casas Franklin, no Centro (lindo lugar, mas bem que podiam fazer só-mais-uminha no Morro da Urca, né?). As atrações de dezembro e janeiro já estão confirmadas: Tim Sweeney e Juan Maclean (29/12), Todd Terje (5/1), Steve Bug e Troy Pierce (12/1) e Prins Thomas (19/1). Espere misturas ousadas e descompromissadas de electro, house, minimal, techno, disco, rock e o que mais esses gringos doidos imaginarem.

SANTA CATARINA

Enquanto isso, Floripa confirma sua vocação como destino gay de verão. A "ilha da magia" tem programação de réveillon digna de Rio de Janeiro - com pelo menos uma grande festa por dia a partir do dia 28 (veja a programação completa aqui e aqui). Os destaques são a Sunrise, day party realizada à bordo de um iate, com Ana Paula e Alê Bittencourt no som, a partir das 14h do dia 30, e as festonas de Réveillon do selo paulista E-Joy e da boate Concorde (com sua pista giratória, que eu chamo carinhosamente de "drag grill"). Mas é em fevereiro que Floripa vai pegar fogo, naquele que deve ser o carnaval mais bombado de sua história. Repetindo o sucesso de 2007, a The Week reabrirá sua "filial de verão" no Praia Mole Hotel, para cinco dias de festa - e a primeira atração escalada é ninguém menos que Offer Nissin, amado por muitos. E todo mundo já disse que vai.

Mas quem abomina house tribal e bate-cabelo também tem grandes razões para passar o verão em Santa Catarina. A cena eletrônica local vai muito bem, obrigado - impulsionada por grandes clubes, DJs internacionais de peso e, claro, a beleza dos garotos e garotas do Sul. O carro-chefe ainda é o megaclube Warung, na Praia Brava de Itajaí, que nesta temporada inaugurou um lounge dançante em estilo balinês chamado Madê Pantai (que está para o Warung assim como o Morocco está para o Sirena). A programação do Warung e do Madê não está de brincadeira: traz feras da house e progressive house como Martín García (na inauguração do Madê, dia 27/12), Satoshi Tomiie (28/12), 16 Bit Lolitas (31/12), Nick Warren (4/1), Desyn Masiello (5/1), Roger Sanchez (9/1), Smokin' Jo (18/1), Bushwacka (19/1) e Dave Seaman (26/1), além de um supercarnaval com Sasha (5/2) e duas noites com a dupla Deep Dish (3/2 e 4/2). Os ingressos já estão à venda.

Mas o Warung não está sozinho nessa. A alguns quilômetros dali, em Balneário Camboriú, o suntuoso clube Green Valley, construído entre três lagoas artificiais, no meio da Mata Atlântica, também está investindo em boas atrações gringas para o verão 2008. Os convidados incluem Robbie Rivera, D-Nox & Beckers, Seb Fontaine e, no carnaval, o adorado Tiësto. E, na própria capital catarinense, os clubes El Divino, Confraria das Artes e KM7 investem em gringos de peso - só o El Divino trará Infected Mushroom, Paul Van Dyk, Mark Knight, Fatboy Slim, David Guetta e Tiësto. E, no final do ano, a cena de Floripa deve ganhar mais dois clubes: o Posh e o Life Club.

Moral da história: se você gosta mesmo de se jogar, é melhor economizar nos presentes de Natal...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

DOM: a revista gay que a Abril não fez

Eu fui um fã ardoroso da finada revista Sui Generis. Editada entre 1995 e 2000, ela trazia atualidades, moda, consumo, política e excelentes reportagens de comportamento – tudo muito bem-escrito, mas sempre num tom gostoso de ler. A última edição saiu em março de 2000, mas suas pautas continuam atuais: união civil, ditadura do corpo, ménage à trois, abuso policial, adoção, compulsão sexual, ciúme, drogas, gene gay, vigorexia... As entrevistas também eram muito boas – de Gerald Thomas a Constanza Pascolato. Quando ouvi falar que o criador do projeto da DOM tinha bebido na mesma fonte da Sui, não pude conter minha expectativa.

A verdade, porém, é que a DOM não se parece com a Sui: lembra mesmo - e muito - a revista feminina Nova, de quem herdou o design. Apesar do discurso inclusivo do diretor de redação (“queremos que todos os gays, lésbicas e simpatizantes sintam-se à vontade por aqui”), seu conteúdo parece mais afinado com os interesses de homens gays de 35 a 55 anos – bem-resolvidos, cultos, exigentes e, sobretudo, muito bem posicionados financeiramente. Gente que constrói a própria casa sem economizar no acabamento, aproveita o que a vida tem de melhor e é capaz de investir R$ 629 numa coleira Louis Vuitton para o cachorro. As páginas de moda são freqüentadas por marcas como D&G, Dsquared, Ricardo Almeida, Energie, Paul Smith e Dior Homme, enquanto a agenda cultural inclui dicas de espetáculos, exposições e restaurantes em Paris, Madri e Nova York.

Nada de errado em ser uma revista para balzaquianos bem-sucedidos. O tal pink money faz cada vez mais barulho mundo afora – não é apenas uma questão de poder de consumo, mas também de visibilidade social, ascendência cultural e até mesmo força política (especialmente nos EUA). E o Brasil ainda não tinha nenhuma revista que dialogasse com esse público – um nicho formidável, esperando para ser explorado. Isso sem falar que toda publicação precisa de retorno financeiro; focar num leitor bem qualificado atrai bons anunciantes e garante boas vendas em banca – verdade seja dita, não são as penosas que vivem mendigando entrada vip na boate que vão gastar dinheiro comprando revista...

Além disso, o fato de ser madura não fez dela uma revista menos moderna. A DOM é visualmente sedutora – a começar pela maravilhosa capa de estréia, que deu um banho nas da Junior (apesar do logotipo um tanto sem graça). É antenada e refina para o leitor o que há de melhor por aí: gadgets, comidas, badalações. E tem os olhos abertos para o fashion, sim senhor – embora não se limite a ele. A parte de moda traz frescor (é bem mais arrojada que a da VIP, por exemplo), sem deixar de ser aproveitável por quem não vive mergulhado nesse universo.

Outra questão que faz diferença: é sempre um prazer ler uma revista bem-acabada, feita por quem entende do assunto. Já nas primeiras páginas, a qualidade dos textos se destaca – os editoriais são extremamente bem-escritos, mostram a que veio a revista e tratam o leitor com o cuidado que ele merece. Esse mesmo cuidado se nota nos demais textos: não se vêem erros crassos de revisão, coisas ainda cruas, entregues às pressas. Alguns chamam isso de “padrão Abril de qualidade”; eu chamo de respeito ao leitor.

No entanto, ainda falta algum tempero à DOM: ela é redondinha, mas não é irresistível. Não tem o apelo de uma VIP ou uma Playboy – revistas que são desejadas pelo leitor e seduzem suas retinas na banca. E não falo aqui de sexo fácil: falo de irreverência, sensualidade, algum bom-humor e jogo de cintura. A DOM fez a lição de casa direitinho, mas ainda está um pouco tímida, certinha, puritana. Está muito séria, muito paulista – tinha que ser um pouco mais marota, mais carioca. Na entrevista com o casal Piva & Tufvesson, por exemplo, não dava para ter colocado uma pimentinha? Eles já viveram e viram tantas coisas, será que tudo o que dava para tirar deles era aquilo?

E outra: consumo é fundamental (“Material Girl”, da Madonna, bem poderia ser um hino gay), mas nosso universo não se reduz a isso, nossa vida não é cor-de-rosa o tempo todo. A DOM transita com desenvoltura pela sala de estar, pelo living onde se mantêm as aparências para as visitas – mas ainda não chegou ao quarto, à garagem e ao porão, onde estão as questões que afligem todos nós. E dá para tratar dessas questões sem perder a elegância e o alto-astral – como a Sui fazia.

Se der mais espaço a matérias de comportamento, a revista poderá trazer assuntos novos e ampliar seu público, concretizando a diversidade a que se propôs. É legal fazer um “manual do bon vivant gay”, mas a DOM pode ser muito mais do que isso, se quiser. Ela tem condições de ser a principal revista gay do Brasil – falando de cultura, sexo, moda, consumo, comportamento, tudo. Se combinar reflexão e modernidade, sem cair na caretice, a DOM – que já é cheia de predicados – pode se tornar uma revista arrebatadora.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Junior: uma Revista da MTV com verniz fashion

O portal Mix Brasil tem um espaço cativo na minha vida: eu o acesso todos os dias há pelo menos oito anos. É minha primeira e maior referência quando o assunto é universo gay: o que está acontecendo dentro do mundinho, que DJ vai tocar em que clube no finde, como foi aquela festa a que eu decidi não ir, quais as sungas do próximo verão, e por aí vai. Se o Mix não cobre absolutamente tudo o que importa, chega bem perto - e é ágil. Por isso, eu o considero o melhor portal gay do Brasil, sem dúvida. Especialmente quando olho para seus concorrentes, ainda presos em uma visão estereotipada, limitante e completamente datada da cultura gay.

Se o Mix está mesmo na frente dos outros, confesso que me cansa um pouco o seu dialeto wannabe-moderno-deslumbradinho: "A gente aqui na redação está superamando as novas t-shirts, que já nasceram hype! O fundamento é lúdico, fofito e artsy. É para usar e arrasar naquela festa absurdinha, que vai ser bafon báfu e ter lineup bombator. Tipo assim: loucurinhas! Arrasa na pólo! Porque vai ser bafônico, bee. Tipo incrível!"

Bem, a Junior é a revista do Mix Brasil. Com tudo de bom e de ruim que isso contém. Felizmente, na hora de migrar para o meio revista, eles deram um breque nas palominoses lingüísticas e capricharam um pouco mais na redação. Os textos são mais bem-feitinhos, e muitos (não todos) passam até por uma revisão. Mas não são eles a razão de ser da revista. A Junior é, essencialmente, uma revista que se apóia e gira em torno das imagens.

São imagens belíssimas, é bom dizer. Especialmente nos ensaios fotográficos e na seção de moda, que são o que a Junior tem de melhor. O ensaio "Depois do after" é de extremo bom gosto. O dos "pólo boys", então, é para pendurar na parede e ficar olhando o dia todo. Esteticamente perfeito, sensual, biscoito fino mesmo. E aquela foto do morenão abraçando seu labrador, bem lá no final? Coisa mais fofa! Sem falar que o projeto gráfico da revista também tem umas brincadeirinhas legais, como na matéria com os casais (o que é aquela abertura, com os pombinhos olhando um para o outro??? que imagens mais lindas, que olhares, que expressões!)

Se como exercício estético a revista é nota dez, em termos de conteúdo o Junior ainda precisa comer mais mingau. Tirando as imagens, a revista às vezes parece ter pouco a dizer. Em muitas matérias, os textos apenas dão suporte para as fotos - alguns são tão rasos que quase servem como meras legendas. Dava para falar muito mais, sem ser demais. Falta reportagem - não se faz bom jornalismo sem sujar os sapatos. A matéria sobre a Espanha, por exemplo, é de uma superficialidade atroz - o nível de informação que qualquer um pode conseguir "de orelhada" numa rodinha, sem precisar ter ido até lá. A melhor comparação que vem à minha cabeça é com a Revista da MTV (que será descontinuada pela Abril já no comecinho de 2008), que seguia a mesma linha: textos leves e de leitura rápida, para não entediar os consumidores adolescentes. A Junior, em uma boa ponte aérea você mata de cabo a rabo.

Outro pecado: assim como o Mix Brasil é um site feito por uma panelinha e para uma panelinha (basta ver que, na cobertura das festas, as fotos mostram sempre as mesmas caras, como se aquelas figurinhas carimbadas fossem as únicas pessoas relevantes para a noite), a Junior fala para um público muito específico: moderninho, fashionista e/ou fashion victim - e morador/freqüentador do miolinho "pheeno e cool" de São Paulo (ou Ipanema, se tanto). A Junior olha demais para o umbigo do mundinho dela. As imagens são um colírio para os olhos, mas acho um pouco difícil um leitor de Salvador ou Porto Alegre realmente se identificar com a revista. A Sui Generis, que era feita inteiramente no Rio, com colaboradores cariocas e pauta carioca, conseguia ser de interesse muito mais nacional.

Não que eu não tenha gostado da Junior. Acho uma revista gostosa para o verão, como uma canção pop do Kid Abelha. Boa para ler na casa de praia, depois de tomar muito sol e bater aquele almoço tardio. Agora, embora eu "superentenda" o carinho e o orgulho da equipe do Mix pela nova cria, acho que eles ainda estão um pouco deslumbrados demais com o fato de estarem lançando uma revista, e deixando o discurso "inovador e vanguardista" ofuscar a necessidade de dar mais consistência ao produto. Mas ainda estamos no número 2, e o próprio André Fischer reconhece no editorial que a revista ainda está tomando forma. Vamos ver em que direção esse fotogênico rebento chamado Junior irá amadurecer.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A festa de lançamento da revista DOM

Em uma agradável noite de primavera, um moreno saradíssimo e tatuado se refestelava em uma inocente banheira de louça, enquanto a água do chuveiro escorria refrescante por cada dobrinha de seu corpo escultural. A cena não seria tão incomum se a tal banheira, rodeada por cactos de madeira, não estivesse plantada no meio da calçada da Mário Ferraz, uma das ruas mais movimentadas do Itaim Bibi, em São Paulo.

A mise-en-scène era parte da festa de lançamento da nova revista gay DOM, que aconteceu na noite de ontem, no Clube Hotel. No espaço, que possuía bar-lounge e pista de dança, os convidados foram recebidos com champagne, morangos e cerejas pelo pessoal da Editora Peixes, que não cansava de lamber a nova cria. A revista circulava entre as rodinhas, enquanto numa tela de plasma era exibido o making of de um dos ensaios de moda da primeira edição, com o colírio André Ziehe (Mega Models).

Entre os presentes, algumas personalidades da noite paulistana (André Almada, Evandro Ângelo e Luís Amaral, Ricardo Oliveros), mas não aquela enxurrada de caras e bocas do mundo fashionista que se esperaria encontrar em uma festa da concorrente Junior, por exemplo. Notei um clã expressivo de órfãos do Ultralounge, além de um bom número de balzaquianos(as). Isso parece confirmar a vocação da DOM de atingir um público um pouco mais maduro e comportado - embora não menos antenado e interessado em moda e estilo.

O ponto alto da noite foi um desfile-relâmpago de underwear, com peças selecionadas de marcas como Calvin Klein e Aussiebum. Difícil era focar nas cuecas, tamanha a beleza dos cerca de vinte modelos que cruzaram o salão, a uma distância desconcertantemente pequena de cada um de nós. As bees ficaram passadas, mas, como sempre, foram as mulheres que deram piti - ao meu lado, duas loiras se descabelavam como se estivessem num show dos Rolling Stones. Para dar uma apimentada, a produção incorporou alguns elementos de fetiche ao look dos rapazes - quem mais agradou foi o "borracheiro", um moreno escandalosamente gostoso com um make leve imitando graxa e um pneu (!) na mão.

Depois do desfile, virou festa mesmo: um DJ de deep house delícia (que tocou alguns dos meus hinos preferidos e até um remix de "Better Man", do Pearl Jam!), conversinhas, mais champagne e morangos... e, como não poderia deixar de ser, algumas bilus aproveitaram a deixa para se arranjar por lá mesmo. Talvez pensando nisso, a produção da festa colocou, ao lado dos morangos, uma tigelona cheia de preservativos sabor tutti-frutti. Bem meigo, não?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

It's a kind of magic...

O que é preciso para que uma festa seja realmente especial?

Numa cidade em que acontece tanta coisa, com tantas opções de balada, tantos DJs residentes e convidados, um público tão exigente (e, com algumas variações, mais ou menos as mesmas pessoas de sempre na pista), o que é capaz de fazer a diferença e transformar uma jogação de rotina numa ocasião inesquecível?

Quem sabe uma locação absurda, diferente de tudo o que já se viu. Ou aquele superstar DJ do primeiro escalão da house music mundial, fazendo um long set incrível de cinco horas seguidas. A fórmula do colocón perfeito, talvez? Ou uma multidão de machos belíssimos, sorridentes e cheios de amor para dar?

Tudo isso pode fazer a nota de uma festa subir. Mas, às vezes, todos os ingredientes estão ali e, por algum motivo, a festa não comove, não emociona. As pessoas chegam, se jogam "no automático" e voltam para casa certas de que aquela foi uma noite qualquer, que irá cair no limbo do esquecimento, junto com tantas outras que existiram na vida delas. A trajetória de pista de um bom baladeiro é muito longa: não há espaço para tantas festas se eternizarem. Qual será então o segredo para uma festa entrar para a história?

Seja lá qual for a resposta, o fato é que a White Party de ontem, promovida pelo estilista Rogério Figueiredo na The Week, deu conta do recado direitinho: encantou as pessoas e fez todas voltarem para casa com um sorriso no rosto.

Quem quisesse se prender aos detalhes encontraria o que criticar, sim. A lotação estava desconfortável - o open bar para 3 mil pessoas transformava a simples operação de pegar uma bebida num martírio. Totalmente desnecessária a intervenção da escola de samba (coisa de festa para gringo no Rio de Janeiro), bem como a animação da Silvetty Montilla (que funciona muito melhor na Blue Space). E as malditas gongaram mesmo: "Festa do branco é cafona, parece baile do sindicato das enfermeiras"; "Esse Rogério acha que é popular, mas ninguém veio por causa dele, ninguém mais saberá quem ele é depois que a festa acabar"; "Ah, mas você juuuura que a Grá está realmente tocando isso na nossa frente? É claro que o Morais mixou tudo pra ela antes, e ela só está tocando o set pronto dele, jurando que é DJ".

Verdades ou injustiças, nada disso foi capaz de tirar o brilho da festa para quem foi lá para se divertir. E talvez tenha sido esse o grande trunfo da White Party: todo mundo realmente estava lá para celebrar, como se aquele fosse um réveillon antecipado (e nesse aspecto o dress code branco foi fundamental para criar o clima). Andar pelo deck da The Week era entrar e sair de rodinhas de pessoas queridas: gente de Sampa, BH, Rio e outras cidades, que ao longo de tantas festas foi se tornando uma espécie de "segunda família" para nós.

Ótima a idéia dos picolés de fruta (você derretia um de limão num copo com vodka e tinha um delicioso drink para o fim de tarde), ótimo o atendimento ao público (a Kaká di Polly na porta estava linda como nunca) e, falem o que quiserem, ótimo o som da Grá. Ela segurou a pista num momento crítico (quando a festa já estava bombando, mas as pessoas ainda não tinham perdido o discernimento) e, pela primeira vez, me convenceu de que pode, sim, vir a ser uma boa DJ. Ela e o Eric Cullemberg arrasaram.

No final das contas, como eu já havia dito aqui, as pessoas eram as mesmas de sempre e o lugar também. Mas havia algo especial no ar, algo que ninguém sabia o que era mas todo mundo sentiu, e que nos proporcionou um domingo muito feliz. A White Party fechou com chave de ouro um ano que foi marcado por muitas grandes festas. Obrigado ao Marcos pelo convite, e obrigado a todos os meus amigos queridos pela companhia, pelo carinho, pelos elogios ao blog, pelos abraços que não têm preço. Nos vemos por aí!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Vocais sim, bagaceira não!

Quem foi ver o produtor do Freemasons na The Week nesse final de semana (sexta em SP, ontem no Rio) teve a chance de ver de perto que é possível, sim, fazer house music com muitos vocais, abusando de hits conhecidos, sem cair no bate-cabelo que infesta as pistas gays.

O tiozinho loiro (mais inglês, impossível) fez um set delicioso, bem happy, daqueles pra cantar junto de cabo a rabo. Longe daquelas babas xaroposas norte-americanas, tipo "Asereje (Tony Moran Mix)", Russell Small tocou produções próprias ("Love On My Mind", numa versão bem diferentona) e ótimos bootlegs - o que misturou o accappella de "Finally", do Kings of Tomorrow, com "Alright", do Red Carpet, foi um ponto alto do set. Pop até a medula, mas nem por isso menos apropriado. Todo mundo gostou.

Espero que isso sirva de estímulo para a The Week continuar apostando em nomes que fujam da ditadura tribal-hard house e ampliem o leque musical. O funky house europeu é menos limitado e tão ou mais festivo quanto. Tá cheio de gente boa que poderia fazer ótimas noites na casa... é só pesquisar. Essa noite de sexta veio despretensiosa e com certeza foi uma das cinco melhores do ano na TW, musicalmente falando.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Rapidinhas da mídia gay

LOUROS AOS MORENOS. Bola de cristal? Toque de Midas? Nada disso. Se, cinco dias depois que citei os blogs do Tony e do Celso como meus preferidos, eles foram destacados na coluna GLS do Sérgio Ripardo na Folha, foi simplesmente porque merecem. Tony é inteligente sem ser pedante, perspicaz sem ser ferino (não vive gongando a torto e a direito), e dono de um senso de humor fino e delicioso - sabe rir até de si mesmo, virtude rara entre os blogueiros (que costumam se levar a sério demais). E Celso tem uma capacidade absurda de transformar as notícias mais banais em contos criativos e mirabolantes. Numa blogosfera saturada de "donos da verdade" e "formadores de opinião", os melhores não dão a mínima para isso. Arrasem, amigos!

ALMANAQUE DO BEM. E falando em Sérgio Ripardo, o jornalista está lançando pela Publifolha seu Guia GLS São Paulo, fruto de doze meses de andanças por pontos de interesse gay/lésbico/ambíguo na cidade. Seu trunfo: transitar sem restrições entre todos os espectros do vasto mundo gay. Sérgio não se limita aos clãs mais óbvios, não torce o nariz para a cena do Centrão, não sucumbe a preconceitos ao retratar tribos diferentes da dele (que nem é daqui, mas de Fortaleza). Em seu blog, ele conta que procurou ser benevolente com os lugares resenhados: "me esforcei para ver o lado positivo de suas propostas". O guia me ensinou uma lição: ir atrás e acreditar em si próprio. Eu mesmo já escrevi um livro similar, mas nunca publiquei, porque achava que não teria como, que ninguém ia comprar... não acreditei na minha idéia e agora perdi o bonde. Paciência. Longe de qualquer "mágoa de miguxa", vou comprar o guia do Sérgio e fazer uma resenha completa aqui.

BOTANDO A MAIOR BANCA. A Sui Generis, primeira revista de comportamento gay do Brasil, foi extinta há oito anos e deixou saudades. De lá pra cá, muita coisa mudou na maneira como o país enxerga os gays, e agora o mercado editorial finalmente toma coragem para apostar nesse público. Em setembro, o pessoal do site Mix Brasil deu o pontapé inicial lançando sua Junior; agora, a Editora Peixes entra na briga com a DOM, que chegou ontem às bancas (e, de exemplar em punho, já lhes digo: vai fazer muito barulho). Eu não quis fazer minha crítica da Junior até ler o segundo número e ver a direção que a revista ia tomar; com a Junior #2 saindo já nos próximos dias, logo mais vocês lerão por aqui uma análise das duas revistas.

ONÇAS, FLAMINGOS E COLIBRIS. E eis que acabei sendo convidado para a tal white party "exclusivíssima" que tem sido o assunto de rodinhas de bilus Brasil afora. A julgar pelo flyer - que beira o over, uma coisa meio Siegfried & Roy, meio Joãozinho Trinta - teremos uma festa diurna que deve mudar radicalmente a cara da The Week. Espera-se que desta vez a mudança radical seja para melhor: da última vez que tentaram propor algo "revolucionário" na cena gay, sexta-feira passada, as bees voltaram pra casa todas sujas e encharcadas de óleo diesel, reclamando que perderam o dinheiro da chapinha. Desse jeito nossos pobres coraçõezinhos não agüentam...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

As comidinhas do próximo verão, parte 1

Mal começou dezembro e já surgem as primeiras apostas para o verão 2008: qual festa/clube vai bombar mais, que trecho da praia de Ipanema será a bola da vez, qual a sunga certa, qual o hit que vai embalar as pistas. É o tipo de especulação totalmente inútil - e, por isso mesmo, muito divertida de fazer. Estive no Rio no fim-de-semana e arriscarei alguns palpites dentro da minha área favorita: as comidinhas que devem marcar o verão carioca.

Minha aposta: este será o verão das temakerias. Em São Paulo, elas fazem parte da paisagem há uns bons três anos; conquistaram os baladeiros (abrem até tarde e são uma opção rápida e barata), mas, ao contrário do que aconteceu com o Burger King, não chegaram a comover grandes multidões. Talvez porque muitas, como a Temaki Express, fazem temakis horrorosos, com alga ruim, peixe congelado e uma salmon skin que mais parece um pano de prato queimado (até hoje, só conheci uma casa que prestasse, a Ícone).

No Rio, na falta de uma, duas temakerias chegaram com tudo, em plena Rua Farme de Amoedo: a Yiá!, minúscula, fofa e "temática" (a identidade visual é toda inspirada na cultura pop japonesa), e a Koni Store, com um interior modernoso em tons de laranja (que transportou minha mente para o finado Fork, saudoso restaurantinho que funcionou em 2000-2001 em frente ao Galeria Café).

Leves, fresquinhos, saudáveis e baratos, os temakis tinham tudo para estourar no Rio. Primeiro, são uma excelente opção para antes ou depois da praia (as duas casas, espertas, instalaram seus pontos a apenas duas quadras da orla). Depois, como já estamos cansados de saber por aqui, são ótimos quebra-galhos para a larica noturna - ao contrário de SP, o Rio sempre foi muito capenga quando o assunto era comida de madrugada: as únicas opções eram o Cervantes, o BB Lanches, a Fornalha do Humaitá e a Pizzaria Guanabara (que eu pessoalmente abomino).

Não por acaso, as duas temakerias estão vendendo feito água - especialmente a Koni Store, que também tem lojas na Praça Nossa Senhora da Paz (a mais concorrida), no Leblon e na Barra. Dos básicos aos incrementados, os cariocas agora só querem saber de "cone" (é assim que eles falam) - e, com certeza, em questão de semanas a turistada que virá engrossar o contingente das festas vai aderir também. Como é que ninguém pensou nisso antes?

A outra febre do momento atende pelo nome de Yogoberry e fica na Visconde de Pirajá, duas casas antes da Letras & Expressões (ou seja, entre Joana e Vinícius). A casa faz o segundo melhor frozen yogurt que já provei (bate fácil o do America e perde apenas para o da Leo Dolci aqui de SP). Você escolhe entre a versão básica e o surpreendente sabor de chá verde (!) e ainda pode acrescentar coberturas "sólidas", como frutas frescas picadinhas (morango, kiwi, melão, entre outras), pedacinhos de chocolate preto ou branco e até sucrilhos. A casa é inteira branca, com cadeiras de acrílico verde transparente e luminárias laranjas com fios plásticos dependurados, imitando águas-vivas. Bem estilosa. Um funcionário distribui microcopinhos do sorvete na calçada, o movimento na loja vai crescendo - e assim nasce mais um hit de Ipanema.

No próximo post, vou concluir minhas apostas com alguns palpites sobre lugares que devem ferver na hora do jantar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Chá de sumiço

Nesses dias pipocaram no meu MSN e na minha caixa de entrada mensagens de amigos/leitores perguntando: o que aconteceu com o blog? Cadê os posts novos? Tanta coisa acontecendo no mundinho, e você não vai falar nada???

Bom, revendo os blogs amigos e repassando as tais "tantas coisas" que aconteceram nesse intervalo, vi que os assuntos foram sempre mais ou menos os mesmos: o tal brinquedo proibido que continha água-de-gisele, o curta dos Telebambis que gongou as barbies e a TW, a coleção de verão das sungas, e a nova boate que promete revolucionar a noite e propor uma experiência musical "nunca antes vista" (uau, será que vamos dançar de ponta-cabeça? e como faz para bater o cabelo então?). Agora o grito do momento é uma certa white party "exclusivíssima" organizada por um estilista: convites disputados a tapa, ansiedade nas rodinhas (tem até fóruns discutindo qual a roupa certa para usar!), enfim, todo um escarcéu para depois a coluna social mostrar que os tais "seletíssimos" e "vipíssimos" eram as mesmas caras de sempre que você encontra todo sábado na Babylon (OK, pelo menos o fervo é beneficente).

O fato é que não me senti muito atraído a repetir esses mesmos assuntos, que já estão sendo tratados à exaustão pelos meus colegas blogueiros. Se algum desses temas me interessasse de verdade, eu obviamente não resistiria a dar o meu pitaco; mas não é o caso, e este blog não tem a pretensão de ser mais um "informativo do mundinho" - nos meus links tem uma porção de endereços que fazem isso muito bem e, quando quero esse tipo de informação, já sei onde encontrar. Mas confesso que ultimamente tenho preferido flanar por textos mais variados e de cabeça mais aberta, como os redondíssimos e irreverentes posts do Tony (meu atual predileto! meu sonho é escrever tão poucas linhas quanto ele!) e as crônicas fofas do Celso, criadas a partir das notícias reais mais improváveis. Mais inteligência, menos deslumbramento e menos pretensão são sempre bem-vindos.

Aqui no blog, falo só sobre as coisas que me dão prazer de escrever, porque blog para mim é isso: prazer. No dia em que o blog se tornar mais uma das minhas tarefas burocráticas, eu paro. Por enquanto, posso me dar ao luxo de sumir, reaparecer e só escrever quando der na telha. Tenho mais uns 2 ou 3 posts inacabados no forno, esperando a hora certa de nascer. Um dia eles chegam - enquanto isso, tenho preferido pensar menos e viver mais. Até mesmo para poder voltar aqui renovado e com mais coisas para contar.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Panela velha é que faz comida boa

Sempre tive muito carinho pelo festival de cinema Mix Brasil, que nesse ano está fazendo sua 15ª edição em São Paulo. É uma chance única de ver filmes que jamais entrariam em cartaz por aqui, mesmo nos chamados "cinemas de arte". E tem também todo um oba-oba que se monta em torno do festival. Nas sessões mais concorridas, o saguão do Espaço Unibanco fica abarrotado - ótimo para conhecer gente nova, divertida e interessante, com horizontes mais amplos do que os muros da boate.

Para estar na programação do Mix, não é preciso discutir diretamente a homossexualidade. Claro que existem os filmes que tratam de temas específicos do universo GLS, mas há também aqueles com tramas absolutamente banais - e que, por acaso, têm algum personagem gay. E há também espaço para outras sexualidades que não a homo - afinal, é um festival "da diversidade sexual", e não simplesmente gay ou lésbico. Sem falar dos documentários, retrospectivas de grandes cineastas e, last but not least, programas de curta-metragens que vão desde o experimentalismo até o mais divertido nonsense.

Com tanta variedade, montar a própria grade de filmes vai do gosto de cada um. Alguns vão atrás de atores gostosões; outros procuram temas de seu interesse (como a adoção de crianças por gays, o hedonismo desenfreado das circuit parties, os fetiches do mundo leather etc.). Mas algumas das boas surpresas do Mix estão reservadas justamente para os que se arriscam a olhar para fora de seu mundinho habitual e experimentam filmes que mostram outras realidades: de outros grupos sociais, de outros países ou até mesmo de outras épocas.

Nessa 15ª edição do festival, o que mais me encantou até agora foi um documentário de 20 minutos chamado 69 - Praça da Luz. Assinado por Joana Galvão e Carolina Marcowicz, ele investiga um universo que eu desconhecia completamente: o das prostitutas de meia-idade que fazem ponto no Parque da Luz, atrás da Pinacoteca do Estado, no centro de SP. Alternando trechos dos depoimentos de cinco dessas senhoras, o filme consegue ser ao mesmo tempo engraçado (as confissões dos gostos e taras dos clientes rendem momentos impagáveis) e comovente (ao mostrar o passado sofrido e o desencanto delas com os homens e o amor), sem jamais se render a fórmulas fáceis, muito menos julgá-las. Cada uma do seu jeito, são mulheres valentes que ainda batem um bolão.

69 faz parte do programa Competitiva 2, que mostra outros 4 documentários (dois deles muito interessantes), e terá mais duas exibições em São Paulo, antes de passar por Porto Alegre, Rio e Brasília.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Guia de Buenos Aires, parte 3: conselhos de mãe

Para encerrar o guia de Buenos Aires, aqui vão algumas dicas acumuladas em 18 anos de experiência... boa viagem aos que vão!

1 - A maioria dos turistas vai a Buenos Aires com pacotes - que incluem, além de passagens, acomodação e city tour, os traslados do aeroporto de Ezeiza para o hotel e vice-versa. Se estiver indo por conta própria, cuidado: você será abordado por várias pessoas oferecendo táxi (como na rodoviária do Rio), mas não aceite (há ladrões misturados). Assim que cruzar a porta corrediça após a inspeção das bagagens, você verá no saguão uma "ilha" azul com um serviço de transfer confiável. Você pode reservar: info@taxiezeiza.com.ar ou (+54) 11 5480-0066. Se quiser economizar, vá de micro-ônibus - procure o guichê da empresa Manuel Tienda León, logo após a porta corrediça.

2 - Você poderá gastar seu cartão de crédito à vontade em lojas e restaurantes. Mesmo assim, é importante ter algum dinheiro em espécie para táxis, baladas, gorjetas e gastos do dia-a-dia. Os brasileiros insistem em trazer dólares, mas o ideal é já chegar com pesos argentinos mesmo (as boas casa de câmbio do Brasil vendem). Se você trocar reais por dólares e depois por pesos, perderá dinheiro duas vezes. Vários lugares aceitam dólar, mas aproveitam para tirar vantagem em cotações bastante desfavoráveis ao turista. De qualquer forma, se precisar comprar pesos por lá, nada de trocar no hotel, muito menos no aeroporto. Vá à Metropolis, uma casa de câmbio confiável, que fica na Florida, quase esquina com a Avenida Córdoba. A preocupação com notas falsas é, infelizmente, necessária.

3 - Como país membro do Mercosul, a Argentina não exige passaporte dos turistas brasileiros: basta o RG original, desde que a cédula esteja em bom estado (não servem carteiras de identificação profissional, tipo OAB). Caso você leve o passaporte, ande na rua com uma cópia e deixe o original guardado no cofre do hotel. Buenos Aires não é uma cidade ostensivamente perigosa, mas ladrões de bolsas e carteiras atacam em áreas com grande fluxo de turistas, em especial os calçadões da Florida e Lavalle. Afaste-se das rodinhas de gente que se abrem em volta dos dançarinos de tango e outros artistas que se apresentam na rua - esse tipo de aglomeração é um alvo preferencial - e não dê atenção a criancinhas pedintes, por mais fofas que pareçam. Nem dê bobeira com sua câmera digital.

4 - Para se locomover, use e abuse dos táxis, que são muito mais baratos do que em qualquer capital brasileira. Os motoristas costumam ser simpáticos e falantes - se você der trela, o papo vai embora, mesmo se você só fala português (é mais difícil para o hispânico entender português do que para o brasileiro entender espanhol, mas em Buenos Aires todos já se acostumaram com a invasão brazuca). Mas traga troco, sempre - inclusive suas moedinhas. Familiarize-se logo com as notas argentinas, para não correr o risco de receber dinheiro velho ou falso de algum taxista de má fé. E, por questão de segurança, só entre em carros que trazem na porta a inscrição "radio taxi".

5 - Lembre-se: taxistas recusam passageiros saídos de eventos eletrônicos - com medo de que eles portem drogas, estejam sujos, façam bagunça ou simplesmente não paguem a corrida. Por isso, pense com antecedência na sua volta do Creamfields. O ideal é contratar um rádio-táxi que te leve e depois te pegue, em uma hora e local a combinar (de preferência, antes das 6h, quando o som pára nas tendas e as 70 mil pessoas saem de uma vez). Se você não contratou táxi ou ele deu o cano, não se desespere: dá para ir andando até o premetro, espécie de trem que é conectado à rede de metrô (subte). Você sobe na estação General Savio, desce na Plaza de Los Virreyes (última estação da linha E do metrô), e de lá chega onde quiser no centro, fazendo as combinaciones necessárias. O problema é que o festival acaba às 6h e, aos domingos, os trens só começam a operar às 8 da manhã.

6 - Quando for fazer compras, não se esqueça de pedir o formulário para receber o reembolso do ICMS. Para ter direito ao benefício, o turista (sem residência na Argentina) deve gastar, na mesma fatura, um mínimo de 70 pesos, e os produtos devem ser nacionais, ou seja, argentinos - portanto, tênis da Nike e calça da Diesel estão fora. As lojas conveniadas com o sistema (nem todas são) possuem o adesivo "tax free" na vitrine. Apresente os formulários preenchidos (junto com as notas) no guichê do aeroporto, para conferência e carimbo, antes de fazer o check in (você pode ter que exibir os produtos). Depois de atravessar a Polícia Federal, haverá outro guichê, onde você escolherá como deseja receber o imposto: na hora, em pesos, ou por meio de crédito na fatura do seu cartão.

7 - Vai se esbaldar nas churrascarias argentinas? O portunhol corre solto, mas é de bom tom saber ao menos explicar em que ponto prefere comer sua carne. Mal-passado é jugoso ("rugôsso"), ao ponto é al punto e bem-passado é bien hecho ("bienêtcho"). Na hora de escolher os acompanhamentos, esqueça o arroz - o argentino não tem esse costume e, portanto, as poucas casas que oferecem no cardápio (para os brasileiros) não sabem fazer bem. Prefira batatas - se quiser comer de um jeito típico, peça papas provenzal, fritas com alho e salsinha. E, na hora de colocar sal, cuidado: o saleiro deles tem furos mais largos do que o nosso, de modo que uma "sacudida à brasileira" pode acabar estragando sua comida.

8 - Para fazer ligações telefônicas, só use o telefone do quarto em caso de emergência - os hotéis cobram uma verdadeira fortuna pelas llamadas (amigos desavisados que passaram apenas 5 dias no hotel pagaram quase R$150 em telefonemas). Para qualquer tipo de ligação, use sempre os locutorios, postos telefônicos onde você fala confortavelmente, sentado numa cabine individual, controlando o total gasto em um mostrador digital. Muito mais baratos, os locutorios estão por toda parte (especialmente na Florida, Santa Fe e adjacências), e a maioria também possui computadores com acesso à internet.

9 - Na hora de comprar presentes para os amigos do Brasil, a maioria pensa mesmo nos tradicionais alfajores da Havanna, que são vendidos em caixas de 6, 12 ou 24 unidades, em vários sabores (o melhor é o de doce de leite, nozes e castanhas de caju, coberto com chocolate branco). Saem muito mais barato lá do que aqui (R$ 1,40 cada um, contra uns bons R$ 5 no Havanna Café em São Paulo) e podem ser encontrados em qualquer lugar, inclusive no duty free shop do aeroporto de Ezeiza (para alívio dos esquecidos, com seus presentes de última hora). Mas não deixe de ver a validade no fundo da caixa: algumas lojas menores não querem perder seus estoques e continuam vendendo mesmo após o vencimento.

10 - Não esqueça, em hipótese alguma, de guardar US$ 18 (ou a quantia correspondente em pesos) para pagar a taxa de embarque da volta no aeroporto de Ezeiza. A taxa, que é destinada à manutenção dos aeroportos argentinos, pode ser paga em dinheiro vivo ou em cartão de crédito Visa (os outros cartões não são aceitos). Sem essa taxa paga, você não embarca!!! [UPDATE: desde maio de 2009, a taxa de embarque de Ezeiza passou a vir embutida no próprio valor da passagem, como sempre foi praxe em qualquer país civilizado do mundo. Portanto, este item 10 não se aplica mais].

[Foto: Plaza San Martín, no Centro, meu cantinho preferido em Buenos Aires]

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Guia de Buenos Aires, parte 2: onde comer


Com um povo que descende de várias nacionalidades e leva o prazer de comer a sério, Buenos Aires só poderia ter uma cena gastronômica riquísima. Dá para passar meses conhecendo e testando lugares novos, que vão das tradicionais carnes e massas até pratos da cozinha contemporânea, passando por ótimos frutos do mar - isso sem falar dos inesquecíveis sorvetes e do famoso dulce de leche.

É importante explicar aos marinheiros de primeira viagem o que significa o cubierto que virá cobrado na conta. Não tem nada a ver com o nosso couvert (portanto, nem adianta dispensar o pão). É uma taxa fixa, que os restaurantes cobram de todos, pelo uso dos talheres ("cubierto" em espanhol = garfo + faca + colher). Também não se trata de gorjeta (propina, em espanhol), que é dada à parte pelo freguês ao seu gosto (muitos restaurantes não aceitam incluí-la no cartão de crédito).

Em relação aos horários, algumas particularidades. Durante o dia, alguns restaurantes fecham após as 15h ou 16h e só reabrem à noite. E se você chegar para jantar antes das 21h, provavelmente só verá os garçons e o cozinheiro - como bom boêmio que é, o portenho janta tarde. Obviamente, se você resolver chegar às 23h00 num restaurante concorrido como o Green Bamboo, vai esperar em pé até que a primeira leva que lotou as mesas comece a ir embora.

Aqui vão minhas 10 dicas de comida:

1 - Entra ano e sai ano, e meu predileto continua sendo o bom e velho BROCCOLINO (Esmeralda, 776), um restaurante simples e honesto que tem um quê das cantinas italianas de NY e vive cheio. Meu prato do coração são os sorrentinos Tony (de presunto, ricota e queijo, com um saboroso molho de tomates frescos, mussarela e manjericão), mas tudo que eles fazem é maravilhoso, não dá para errar. Tente as cintitas nero di seppia profumo di mare - um macarrão linguini negro, feito com tinta de lula, com molho de salmão, creme de leite e frutos do mar. Ou divida com alguém o enorme linguado com um molho cremoso de vinho branco e camarões, mais purê de batata. Nham-nham.

2 - Também não falta nas minhas viagens a boa pizza do FILO (San Martín, 975). O restaurante segue a mesma linha colorida-moderninha do PIOLA (que fica na Libertad, 1078), mas a comida é mais caprichada e o staff, mais atencioso - eles sempre sabem qual é a boa da noite e, se não souberem, os muitos flyers do balcão do bar podem ajudar. As pizzas são finas e leves, mas sem a miséria de recheio do Piola. Peço sempre a Al Prosciutto, com cogumelos como ingrediente extra. Eles também fazem metade de cada sabor, como no Brasil. Vale lembrar que a pizza pequena tem 6 pedaços - pode ser uma boa para um casal sem muita fome.

3 - Que tal andar por um grande salão com várias pequenas cozinhas, onde simpáticos chefs preparam na sua frente pequenas porções de massas, carnes, pescados, comida internacional e doces, tudo gostoso e sofisticado, para você ir provando e repetindo como quiser? E mais, pagando algo como R$26 por pessoa? Esse verdadeiro achado, quase bom demais para ser verdade, atende pelo nome de MARINI GOURMET (Avda. Santa Fe, 3666) Abre para almoço e jantar, sendo que no jantar e nos almoços de fim-de-semana a comida tende a ser mais diferenciada do que nos almoços comuns.

4 - Naturalmente, você vai querer provar uma boa carne argentina. Qualquer lugar decente sabe fazer um bom bife de chorizo - o famoso contra-filé argentino, que é uma espécie de "pretinho básico" que nunca falha quando não se sabe o que pedir. Mas há outros cortes que merecem ser provados, como o bife de tira (meu preferido), o asado de tira e o vacío. Quem está acostumado a abrir a carteira no Rubaiyat paulistano pode conhecer o braço argentino da rede, o CABAÑA LAS LILAS, em Puerto Madero. Agora, se quiser comer uma carne do mesmo nível sem gastar tanto, vá ao LA CABALLERIZA (tem em Puerto Madero e no Village Recoleta).

5 - Gosta de comida asiática? Buenos Aires tem boas opções que vão muito além do sushi e do frango xadrez. No Centro, prove a comida tailandesa do EMPIRE (Tres Sargentos, 427) que é totalmente gay friendly. Recomendo os langostinos (camarões) empanados com molho de shoyu e tamarindo e a sopa de cubos de frango, leite de coco, gengibre, capim-limão e cogumelos. E em Palermo, não perca o GREEN BAMBOO (Costa Rica, 5802), um bar-restaurante vietnamita descolado, escurinho e aconchegante (a comida vietnamita não destoa muito da tailandesa; para ter uma idéia, veja o cardápio deles aqui). Convém reservar, já que é pequeno e lota cedo.

6 - O bairro de Las Cañitas também tem ótimas opções de gastronomia. Minha favorita lá é o EH! SANTINO (Baez, 194), um desses lugares que deixam você naquelas "sinucas de bico" entre 4 ou 5 pratos do menu. Felizmente, eles tem uma opção que se chama trio de pastas: você combina 3 massas com 3 molhos, num pratão retangular para duas pessoas. Eu, por exemplo, gosto de pedir assim: (a) gnocchi de espinafre com uma espécie de ragu de tomate e vinho e mais cogumelos frescos e secos; (b) sorrentinos negros (feitos com tinta de lula), recheados com lagostins, camarões e kani kama moídos, com molho rosado e pesto; e (c) agnolottis de presunto, mussarela e ricota, com creme, tomate concassé e manjericão. De lamber o prato.

7 - Vai garimpar as lojas descoladas de Palermo Viejo? Um ótimo lugar para sentar com as sacolas e fazer um lanche é o MARK'S (El Salvador, 4701), um café com comidinhas simpático e bem freqüentado, que faz sanduíches incrementados no pão ciabatta e bolos caseiros bem com cara de vovó. Outra opção bacaninha é o versátil BAR 6 (Armenia, 1676): dá pra tomar café da manhã, almoçar, beliscar algo à tarde e até jantar - mas, para jantar por ali, prefiro comer um risoto de vitela, cogumelos e parmesão no CLUNY (El Salvador, 4618), ou um crepe de caranguejo gratinado do LA BAITA (Thames, 1603).

8 - Sua ida a Buenos Aires não será completa se você não cair de boca nos melhores sorvetes do mundo. O título sempre foi da FREDDO. Mas a família que criou a rede recebeu uma boa proposta de um grupo estrangeiro e passou a marca adiante. O Freddo continua igualzinho e delicioso, mas seus fundadores conseguiram criar uma sorveteria ainda melhor: a PERSICCO. É de comer de joelhos. Na Freddo (que tem na Santa Fe, em Puerto Madero, na Recoleta e nos shoppings), prove os sorvetes feitos com pelotas de dulce de leche mole dentro, como chocolate suizo, crema tramontana e banana split. Na Persicco (Jerónimo Salguero, esquina com Cabello), você também pode pedir todos esses, mas não deixe de provar mousse de chocolate, tarta de limón e crema mascarpone, com gosto de cheesecake e frutas vermelhas.

9 - Se, já que você está gastando dinheiro para jantar, você quer ver e ser visto, arrisque o pretensioso CASA CRUZ (Uriarte, 1658), se você for hétero, ou o bar-restaurante-cabaré CHUECA (Honduras, 5255), se for gay. Ou então vá tomar um drink no bar do FAENA (atrás de Puerto Madero), design hotel de cair o queixo projetado por Phillippe Starck. Em Palermo, outros lugares para um bom drink são o gay ANDY (Jorge Luís Borges, 1975) e o alternativo KIM Y NOVAK (Güemes, 4900).

10 - Por fim, se você não tem nada para fazer no almoço de domingo (um after no Caix, uma festinha particular, uma excursão ao Uruguai), considere seriamente a idéia de tomar um champagne brunch nos hotéis ALVEAR (o mais caro da cidade) ou FOUR SEASONS. Nos dois casos, a comida é farta e sofisticadíssima, e os garçons não deixarão sua taça de champagne ficar abaixo da metade. O preço gira em torno de 130 pesos por pessoa (algo como R$90), o que é muito barato para um banquete de luxo em que você é tratado como um rei. Os brunches só são servidos aos domingos e é preciso reservar com uma certa antecedência.

[Foto: sorrentinos Tony @ Broccolino]

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Guia de Buenos Aires, parte 1: o que fazer



A pedidos, começo aqui uma série de 3 posts com dicas de Buenos Aires, para os amigos que estão indo ao festival Creamfields (e os outros que estiverem lendo depois). Nesta primeira parte, vou fazer um apanhado sobre passeios, compras e baladas. Na parte dois, uma seleção de 10 lugares do meu roteiro gastronômico pessoal. E, na última parte, 10 conselhos úteis para aproveitar a viagem ao máximo e evitar dores de cabeça.

1 - Tem city tour no pacote? Então faça logo. Você tem uma visão panorâmica da Buenos Aires turística, tira eventuais dúvidas com a guia local e, de quebra, já vê/fotografa/risca da lista aquelas atrações que basta ver uma vez na vida e pronto, como o Obelisco, a Plaza de Mayo, a Casa Rosada e as casinhas coloridas do Caminito em La Boca. O passeio te toma uma manhã inteira (das 9h às 13h) e, a partir daí, você está livre para se aprofundar e curtir com calma o que realmente interessa.

2 - Uma das atrações que você só vê de longe da janela do ônibus e merecem ser curtidas com calma é o Parque 3 de Febrero, também conhecido como "Bosques de Palermo". Pulmão verde da cidade, é onde os portenhos vão para namorar, andar de bicicleta ou passear com as crianças e os cachorros.
O parque é bem grande e muito bonito, especialmente os jardins em estilo parisiense do Rosedal (peça para o taxista te deixar nesse pedaço). Passeie pelas alamedas floridas e depois espere na beira do lago pelo pôr-do-sol. Um dos lugares mais românticos de Buenos Aires, é ótimo para dar um tempo da agitação urbana/consumista - ou despoluir a cabeça depois de uma intensa jogação eletrônica.


3 - Gosta de programas culturais? Não perca os dois melhores museus de Buenos Aires. O Museo Nacional de Bellas Artes é, guardadas as proporções devidas, o Louvre da cidade: é grandão e tem um pouco de tudo, entre pinturas, esculturas, tapeçaria, arqueologia etc. Já o MALBA, menorzinho, é uma coleção de arte moderna, que em pouco mais de uma hora se vê inteira e com folga. Fanáticos por política podem agendar uma visita à Casa Rosada por dentro; já o imponente Teatro Colón continua fechado para reforma.

4 - No domingo você provavelmente vai amanhecer no Creamfields e acabar de meter o pé na jaca, em grande estilo, no Caix. Não fosse isso, você poderia fazer um passeio bastante típico: ir à Plaza Dorrego, no bairro histórico de San Telmo, a partir das 11 da manhã. Na praça, há um concorrido mercado de pulgas, com antiguidades variadas; nas esquinas, casais de bailarinos dançam tango, para deleite da turistada. Depois de anos de descaso, San Telmo está querendo ser cool, com lojinhas bacanas abrindo aos poucos, dois cafés gays fofos (o La Farmacia e o Pride Café) e, a partir do dia 10, o primeiro hotel gay da América Latina - o hypado Axel.

5 - Outros lugares gostosos de bater perna são La Recoleta e Puerto Madero. La Recoleta é o bairro das madames chiques de Buenos Aires (as maisons da alta costura estão todas na Avenida Alvear). Na praça ao redor do Cemitério da Recoleta,onde Evita está enterrada, há cafés com ar parisiense e, nas tardes de domingo, uma gostosa feirinha de artesanato, com apresentações de artistas de rua e um vaivém interessante de famílias, jovens e turistas. Puerto Madero é a região das docas, salva da degradação por um projeto de revitalização que transformou os galpões em restaurantes. São lugares, em sua maioria, caretas, turísticos e caros, mas é gostoso dar uma andada pela passarela ao longo do rio tomando um sorvetinho da Freddo.

6 - As duas principais ruas de compras são a calle Florida e a Avenida Santa Fe. A Florida, um calçadão infestado de turistas, já perdeu o brilho de outros tempos, mas ainda é boa para comprar tênis (tem muitas lojas com todas as marcas), CDs (na bem-abastecida Tower Records) e roupas da Zara (a maior das cinco filiais da cidade está ali). A Santa Fe tem filiais de algumas grifes locais, lojas próprias de todas as marcas de tênis que importam (Nike, Adidas, Puma, Reebok), a El Ateneo Grand Splendid, uma megastore de livros e CDs instalada dentro de um belo teatro restaurado, e a Galería Bond Street, que faz as vezes de Ouro Fino local, com street wear, tattoos, piercings, bullets, camisetas de bandas e emos argentinos. A avenida é bastante longa; o melhor trecho de compras fica entre as ruas Libertad e Riobamba.

7 - Para quem tem pouco tempo e gosta da praticidade dos shoppings centers, Buenos Aires tem ótimas opções. O Alto Palermo concentra todas as boas lojas de roupa argentinas (Bensimon, Ona Saez, Kosiuko, Tascani, Key Biscayne etc.). O Paseo Alcorta tem jeitão de mall dos Estados Unidos, com pé-direito alto, muita luz natural e uma Emporio Armani novinha. O Galerías Pacífico fica no coração da Florida, tem bem menos opções de lojas, mas vale uma olhada pela belíssima arquitetura européia - parece uma miniatura da Galeria Vittorio Emmanuelle de Milão.

8 - Em Palermo Viejo fica o comércio realmente descolado de Buenos Aires. Os endereços certos não estão comodamente enfileirados em uma única rua, como na nossa Oscar Freire, e sim espalhados, como na Vila Madalena. Para não ficar perdidão, abra seu mapa, trace um quadrado entre as ruas Malabia, Gorriti, Jorge Luis Borges e Costa Rica e ande dentro dele. Minha rua predileta é a Gurruchaga - tem lojas bacanas como Felix e Bokura, a loja própria da Diesel, a multimarcas Red Store (que recebe da Diesel as coleções passadas, a preços bem baixos) e a Nike Soho, que vende os produtos da linha diferenciada da marca. É uma zona para garimpar e explorar sem pressa.

9 - Baladas: o Creamfields sozinho já vale a viagem, mas quem tem energia de sobra pode começar a gastá-la bem antes, já que a noite de Buenos Aires acontece todos os dias da semana. Você chega na quinta-feira? Vá dançar house e electro com os héteros na Club 69 (Federico Lacroze, 3455), ou arrisque a boate gay Amerika (Gascón, 1040), depois de uma passadinha opcional no pequeno Glam (Cabrera, 3046). Na sexta, você pode escolher entre um megaclube eletrônico estilo Ibiza (o Crobar, no Paseo de La Infanta) ou uma boate gay que parece uma catedral (o Palacio Alsina, na Alsina 940). Sábado seria dia de Pacha (Av. Costanera Norte), principal clube eletrônico do país, mas devido ao festival a casa nem deve abrir. Na manhã de domingo, o melhor after, sem dúvida alguma, é o do Caix (em Costa Salguero) mas, se você precisa escutar tribal até em Buenos Aires, vá bater cabelo no Palacio Alsina, que fará um after especial para as bees.

10 - Para aqueles que vivem reclamando que meus guias são pudicos demais e não têm dicas de pegação, vamos lá. A pré-balada gay oficial é no bar Chueca (Honduras, 5255), um bom lugar para tomar os primeiros tragos e paquerar, chegar junto, treinar seu espanhol ou mesmo falar o bom e velho português (cuja sonoridade dá tesão em 9 entre 10 argentinos). Agora, se você não quer saber de papo furado, tem dois cruising bars que você precisa conhecer. Ambos são dos mesmos donos e têm uma estrutura parecida, de surpreendente limpeza e bom gosto, com bar, música inesperadamente boa, um lounge escurinho com pufes, cabines com vídeo e labirintos. O Tom's, mais antigo, fica na região da Florida (Viamonte, 638) e o Zoom, na região da Santa Fe (Uriburu, 1018). Dá pra passar na happy hour, antes ou depois da balada - de sexta a domingo, eles funcionam 24hs. Boa sorte.

[Fotos: Caminito e ponte sobre o lago do Parque 3 de Febrero]

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O sobe-e-desce do Creamfields Buenos Aires 2007


No próximo sábado, acontece em Buenos Aires a edição 2007 do festival de música eletrônica Creamfields. Vários amigos (e também alguns leitores do blog que não conheço) estão aproveitando o pretexto do festival para visitar a cidade pela primeira vez, e me pediram dicas. Por isso, vou postar nos próximos dias um guia em três partes, com restaurantes, passeios, compras e conselhos úteis.

Enquanto o guia não vem, quem quiser pode ler meus posts anteriores sobre a cidade, a noite portenha e o festival. E falando em festival, mesmo sem poder ir desta vez, me arrisco a fazer um sobe-e-desce com base nas minhas experiências anteriores...

UAU:

1) O LINE UP CHEIO DE ESTRELAS. Carl Cox, Chemical Brothers, John Digweed, Hernán Cattáneo, Mark Farina, Tiefschwarz, 2ManyDJs, James Zabiela... o festival argentino tem muito mais bala na agulha para trazer nomes do primeiro escalão da eletrônica do que o nosso cada vez mais mirrado Skol Beats. No quesito "top DJs", o Creamfields não economiza: é muito mais atração boa pelo seu dinheiro.

2) A ESTRUTURA MEGA ORGANIZADA. Ao longo dos seus seis anos de existência, o Creamfields cresceu e virou um colosso, que neste ano já espera receber 70 mil pessoas. Um evento desse tamanho ou funciona muito bem, ou simplesmente não funciona. Felizmente, tudo ali é organizado de forma altamente profissional, desde a entrada (que anda rápido e sem dramas na revista), até a sinalização das tendas, passando pela oferta de bares e banheiros, sem esquecer do cada vez mais importante plantão médico.

3) O AFTER DO CAIX. Se o festival costuma ser bom (com variações de ano para ano conforme as atrações escaladas), o "segundo round" no Caix consegue ser ainda melhor. Em domingos normais, a combinação de música boa, gente descolada e fervida e vista para o Rio da Prata já faz dessa a melhor balada fixa da cidade; quando tem algum festival antes, todo mundo que importa vai pra lá depois, e o que já era babado fica incrível. Aos menos resistentes, vale até sair mais cedo do festival e descansar um pouco no hotel, para não deixar de ir ao Caix.

4) A PAIXÃO DOS ARGENTINOS POR PROGRESSIVE HOUSE. Poucos povos no mundo têm uma adoração por música eletrônica e uma energia tão contagiante como os argentinos. Em pistas como a do Pacha, as pessoas gritam, pulam e dançam eufóricas - especialmente se o som for progressive house, a paixão nacional. Não por acaso, a tenda que o festival dedica a esse gênero (Cream Arena) é, de longe, a maior de todas. Dançar nela é uma experiência única. A resposta da multidão ao som de Hernán Cattáneo e Martín García, maiores expoentes do prog e verdadeiros heróis locais, é simplesmente indescritível. A tenda inteira vibra, ovula e parece sair do chão. E até aspirina deixa você feliz.

UÓ:

1) O DRAMA DO TRANSPORTE. Os taxistas de Buenos Aires têm uma peculiaridade: simplesmente não aceitam passageiros saídos de eventos eletrônicos. Por melhor que seja o seu estado, você chama, eles dizem que não e passam reto - sempre foi assim. Isso quer dizer que todo mundo que não veio de carro ou não contratou previamente um rádio-táxi com hora marcada para buscá-lo é obrigado a ir embora a pé. Quando o Creamfields era na Costanera Sur, era quase uma hora de caminhada até uma área onde passassem táxis que não sabiam do festival e parassem. Agora que o evento mudou para o Autódromo, que é lá na casa do capeta, a situação vai ser muito pior. Serão 70 mil pessoas saindo de uma vez, e pelo menos metade terá dificuldades para voltar para casa.

2) A DEMORA EM SOLTAR OS HORÁRIOS DAS TENDAS. Todo ano é a mesma coisa. O site entra no ar em agosto, as principais atrações são divulgadas aos poucos a partir de setembro - mas nada dos horários dos DJs nas tendas. Enquanto o Skol Beats solta logo os line ups completos e o público pode planejar sua noite com dois meses de antecedência, quem vai ao Creamfields só fica sabendo na véspera quem vai tocar onde e quando - e precisa se virar para decidir os conflitos de tendas, que fatalmente acontecem (é muita gente boa tocando ao mesmo tempo).

3) A SELVAGERIA AO QUADRADO DA MOLECADA ARGENTINA. Todo mundo sabe que grandes festivais são para quem tem espírito esportivo: a muvuca e a confusão são praticamente inevitáveis. Mas, se no Brasil já é preciso ter paciência com os inconvenientes que estragam a festa dos outros, na Argentina o buraco é mais embaixo: o povo fica ensandecido e a falta de educação é generalizada. E isso piora a cada ano, com a popularização da música eletrônica atraindo gente cada vez mais nova para os festivais. No Creamfields, impera a "lei da selva": empurrões nas tendas lotadas, cotoveladas nos balcões dos bares, gente furando a fila do banheiro na maior cara-de-pau. E olha que lá não tem pitboy...

4) A PAIXÃO DOS ARGENTINOS POR PROGRESSIVE HOUSE. Progressive house é o gênero mais adorado pelos argentinos. E por isso a tenda dedicada a ele tem quase o dobro de tamanho das outras tendas (como acontecia com o drum n'bass no Skol Beats). Mas, por maior que seja, a Cream Arena não é suficiente para acomodar as, digamos, 40 mil pessoas que são fanáticas por progressive, Hernán e Martín. Isso significa que a lotação da tenda vai muito além do que seria tolerável: as pessoas se empurram, se espremem, se machucam - e sair para comprar uma água pode levar 45 minutos. Uma verdadeira operação de guerra.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Tropa de Elite: as duras escolhas dos sem-escolha

Estou escrevendo minhas impressões sobre Tropa de Elite com um atraso considerável, é verdade. Já faz um tempão que fui assistir ao longa, no fim de semana de sua estréia. Tá difícil arranjar tempo para o blog. Mas pelo menos pude acompanhar a repercussão do filme. O sucesso está sendo estrondoso (nas salas de exibição e nas bancas dos camelôs), mas também choveram críticas - que o filme é fascista, glorifica a violência policial, faz uma interpretação simplista da questão das drogas. O que não deixa de ser saudável: é um filme que faz pensar, e provoca questionamentos até mesmo naqueles que são os mais acomodados e alienados, a classe média que vive enfurnada em shopping center.

Acho que uma das grandes sacadas de Tropa de Elite é mostrar a violência pela perspectiva do policial. Tudo o que conhecemos, pela nossa experiência cotidiana de cidadãos comuns da metrópole, é a ótica da vítima. Aí veio Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e contou a história pelo prisma dos bandidos, numa saga meio romântica que, de certa forma, os humanizou. Mas, até hoje, tirando os filmes e seriados norte-americanos (imersos em um contexto social que é bem diferente do brasileiro), ninguém tinha se lembrado de ver o lado do policial.

E o lado do policial, meu chapa, é de lascar. Existe um descompasso gigantesco entre o que se exige e espera dele e o que se oferece em troca. A rotina é massacrante, com uma pressão absurda e um risco de vida constante, enquanto as condições de trabalho e o salário são vergonhosos. Um policial comum ganha 900 reais por mês no Rio, e um do BOPE tira só 500 a mais do que isso. Com isso, as opções que se desenham para ele são três: ou se corromper (não só fazendo associações com os bandidos, como também entrando nos jogos escusos da corrupção interna), ou lavar as mãos e se omitir, ou ir para a guerra - contra os bandidos e contra a própria estrutura do sistema policial. Esses dilemas ficam muito claros no filme, que é narrado em primeira pessoa pelo personagem principal, o Capitão Nascimento (Wagner Moura).

Para dar conta do recado, durante sua formação pelo BOPE o policial sofre uma verdadeira lavagem cerebral - um treinamento desumano, mas que vai prepará-lo para uma vida não menos cruel. Quando finalmente ganha as ruas, o soldado endurecido e lobotomizado traz dentro de si um ódio profundo, típico de um autêntico justiceiro. Na guerra contra os bandidos vale tudo, inclusive se nivelar em barbárie: enquanto os traficantes matam delatores no 'microondas' (amarram em uma pilha de pneus, jogam gasolina e ateiam fogo), os policiais arrancam confissões sufocando pessoas com sacos plásticos ou ameaçando empalá-las em cabos de vassoura. Nessa ciranda de violência e descontrole, perdas e danos se acumulam, inclusive para os próprios policiais, que vêem sua vida pessoal e sua estabilidade emocional degringolarem.

Durante a exibição do filme, uma constatação inquietante: por maior que seja a truculência das ações do BOPE, uma parte considerável do público se realiza com a violência policial e chega a vibrar nas cenas mais fortes. É um sentimento de revanchismo, que parece comungar com a (perigosa) idéia de que violência se resolve com violência. Isso mostra a que ponto chegamos: deixamos de nos chocar com o intolerável e passamos a endossar a violência, porque queremos nos sentir vingados, e esses sanguinários homens de preto farão isso por nós. A própria freqüência com que o BOPE - uma força policial criada para situações excepcionais - é chamado a atuar prova que a situação da segurança pública é da mais pura calamidade.

Se o quadro é desolador e a mensagem é indigesta, Tropa de Elite consegue a proeza de dar seu recado sem deixar o entretenimento de lado. Contundente sem ser deprimente, o filme envolve o espectador num vigoroso mosaico do Rio de Janeiro, com ritmo eletrizante, tomadas aéreas grandiosas, edição esperta, boas atuações do elenco (consegui até gostar do Wagner Moura!!!) e uma trilha que nos faz pulsar no pancadão dessa cidade tão sensual e louca. Em meio a tantos pastiches fajutos de Hollywood, nosso produto nacional desponta como um excelente filme de ação, sem dúvida um dos melhores de 2007.