sexta-feira, 29 de maio de 2009

Desvendando os mitos do sexo pago

Verdade seja dita: para a esmagadora maioria dos homens gays, hoje em dia é muito fácil arranjar uma trepada. Se a luta pelos direitos civis ainda tropeça aqui e ali, em termos de possibilidades sexuais os nossos grandes centros urbanos não fazem feio às capitais europeias. Mesmo quem mora em cidades menores conta com a ajuda da internet, o supremo facilitador de fodas. Além disso, para bom entendedor, nem é preciso gastar o latim: com o olhar atento e um pingo de malícia, qualquer lugar pode render uma boa pescaria, do museu ao supermercado. Em se plantando, tudo dá.

Já que a coisa está dando em árvores, que fim terão levado os garotos de programa? Será que ainda existe demanda para o serviço que eles oferecem? E quem procura por ele? Se toda reportagem investigativa nasce para encontrar uma resposta, essa era a minha pergunta: quem paga por sexo hoje, e por quê? Nosso imaginário coletivo sempre encarou o sexo pago não como opção, mas falta de opção. "Pegar michê" é para velhos, gordos, solitários, gente que pendurou as chuteiras ou foi excluída do jogo. Verdade ou lenda? Sugeri a pauta para a revista DOM, eles gostaram e lá fui eu me embrenhar nesse universo, atrás de respostas. Era o começo de março.

Não demorei para sentir na carne que estava lidando com um tabu. Quando eu saía a campo atrás de fontes e personagens, o tema da reportagem provocava fascínio ou repulsa - jamais indiferença. Em discussões acaloradas, meus interlocutores tinham sempre opiniões formadas sobre o assunto, e eram muito convictos ao defendê-las. Ainda bem que eu não estava ali para defender ideia alguma, mas apenas para conseguir contatos. E foi o que fiz: conheci pessoas novas, conquistei a confiança delas, visitei saunas, conversei com rapazes que atendem pela internet. No final da apuração, entre boys (como os GPs preferem ser chamados) e clientes, eu tinha depoimentos de vários lugares do Brasil.

O que mais me surpreendeu foi a quantidade de caras jovens e atraentes com que me deparei - não GPs, e sim clientes. Claro que também encontrei vários fregueses (especialmente nas saunas) que se encaixavam no estereótipo do coroa-cacura, mas pude constatar que essa imagem está longe de ser regra. E que quem crê nesse padrão está endossando um preconceito. Preconceito, porém, é uma palavra que esses clientes não conhecem. A maioria se mostrou muito bem resolvida: nada de carência, solidão ou falta de perspectiva. Eles sabem muito bem o que querem e o que estão fazendo ali. Sexo com um boy é uma possibilidade a mais, da qual eles extraem o melhor, e que não inviabiliza contatos de outras naturezas, inclusive namoros sérios. Aliás, alguns dos entrevistados eram bem casados, apaixonados e felizes com os parceiros. Gente como aquele seu amigo Beltrano, bonitão e bem-relacionado, pode deitar e rolar com um GP, e você nem suspeita.

As motivações e expectativas dos clientes são variadas. Da comodidade aos fetiches, são muitos os fatores que levam essas pessoas a se mimar com uma transa profissional. Não vou entrar em detalhes, porque não quero entregar de bandeja a matéria, que está na DOM deste mês (aquela com o Gianecchini na capa). Mas ouvi histórias bem inusitadas e, no fim das contas, vi que eu mesmo tinha uma visão preconceituosa sobre o assunto e não sabia. Isso significa que hoje eu recomendo o sexo pago para todo mundo? Não. É uma forma de prazer que agrada a muitos, mas não serve para todos. A questão crucial: o que está em jogo ali é a satisfação do cliente, e apenas isso. É para usar, gozar, se lambuzar - e simplesmente abstrair o prazer do outro (o GP). Para algumas pessoas, isso pode ser muito excitante; para outras, o tesão do parceiro também é importante, ou mesmo fundamental.

14 comentários:

David® disse...

Eu recomendo....pelo menos uma vez na vida...rs

PS: vou ter que comprar a DOM novamente por causa da sua reportagem!!!!

Isadora disse...

Ótimo texto, Thi! Ainda não pude ver a matéria, mas seu texto me animou a comprar a DOM desse mês.

Sobre o tabu dessas transações, não resisto a transcrever um trechinho do lindo prefácio de Peter Fry ao livro "O negócio do michê: a prostituição viril em São Paulo", do Nestor Perlongher. Esse livro estava esgotado e foi relançado recentemente. O livro é incrível, estou sempre lendo e relendo, você gostaria de ler, se tem interesse pelo tema.

Aí vai o trecho do prefácio, sobre o livro: "o assunto mais instigante deste livro é o desejo. O desejo ao menos três vezes maldito: transitório e mediado pelo dinheiro; que corre entre pessoas do mesmo sexo, e que une, momentaneamente, pessoas socialmente distantes (rico e pobre, branco e negro, velho e moço, "feminino" e "másculo")".

Bacana sua breve incursão pelos 3 vezes malditos!

Anonymous disse...

JA PAGUEI....MAS AINDA NAO CONSEGUI SENTIR TER MUITO TESAO NA HORA....
GERALMENTE ROLA QUANDO VOU NA SAUNA COM ALGUM AMIGO ....MAS PREFIRO UM APUTARI AESCROTA TIPO SEXCLUB...FESTINHAS

Paulo R. F. Braccini disse...

muito boa sua contextualização sobre o tema. já li o Nestor Perlongher em O Negócio do Michê: a prostituição viril em São Paulo, e é exatamente isto o que se constata no mundo de hoje. Os GP existem e existirão sempre. São necessários a muita gente. Não importa se nos dias de hoje "em se plantando tudo dá ..." o espaço dos GP é outro como vc bem define e configura. Para dizer a verdade, não é a minha praia mas quem sabe um dia ... VAI SABER NEH?

bjux

Alberto Pereira Jr. disse...

boa pauta! vou comprar a DOM e conferir a matéria

:)

S.A.M disse...

Adorei o tema e o tipo de abodagem.

Vou lá buscar a minha...
^^

Red disse...

Depois de ler o post fiquei com vontade de comprar a revista. :)

Rob disse...

Eu adoro esse tema! sou jovem e relativamente bem atraente 29 anos e nao tenho problema nenhum em arrumar uma foda sempre que volto a sampa vou com um amigo meu super bem de vida na Lagoa e nos divertimos muito por la ..a ultima vez foram 4 sendo 1 na faixa sempre tem as bius viciosas que estao cnsada das velhas nao tenho problema nenhum em pagar ...acho fascinante essa relacao de poder e sexo, sempre me atraio pelos garotoes macho meio cafajeste que juram ser HT e que estam so fazendo pelo $ who cares? eu quando vejo algo que eu quero e nao eh de graca vou e pago e adoro hehe

beto disse...

eu tb tinha essa visão de que GP era só pra quem não conseguia sexo grátis.
Até que um amigo alemão, mega-gostosão e com um marido quase tão gostoso, veio a SP. Era o tipo de cara que 90% dos nativos pegariam com certeza. Aliás, 95%.
E uma das coisas na lista dele para SP era visitar a Lagoa e pegar/pagar um GP. Ele adorou, recomendou horrores.
E aí, uns anos mais tarde, eu resolvi conferir. Achei OK, repeti, mas já faz tempo. Mas, hoje em dia, não teria o menor problema de voltar lá se me der na telha!

K. disse...

eu tive que rever as ideias que tinha quando conheci um michê... além de ele mesmo ser completamente fora do clichê imaginado, a vida e os clientes dele também eram uma categoria à parte do que imaginava...

e conversando com alguns amigos, sei que rola uma curiosidade monstro deles...

pra nos situarmos num mundo plural.

Anonymous disse...

Adoro... fiquei tão acostumado que hoje está ficando difícil fazer sexo com alguém que tenha (muita) vontade própria...

Anonymous disse...

Já conheci michês que não pareciam michê de jeito nenhum. Muitos formados, mega-bonitos, mega bem-vestidos e mega-educados.

Não são a regra, mas que existem, existem.

Anonymous disse...

Acho bom quando não se quer perder tempo e vai direto ao assunto, os heteros pagam sem nenhum problema.

Lagoa disse...

Eu nao gosto das bichas e das barbies do The Week...gosto é de homens jovens, machos e bonitos. E sai mais barato do que o The Week e muito mais saudavel e divertido...sem todas aquelas bichonas metidas a macho sem camisa e muito viciadas.