terça-feira, 19 de julho de 2011

Overdose

Ando sem cabeça pra postar no blog. E não só por conta dos freelas que, felizmente, começaram a pipocar. Confesso que estou meio cansado de algumas polêmicas, tipo ter ou não ter beijo gay na novela, ou a declaração inadequada desse ou daquele asno com visibilidade pública. Nesses assuntos, vários colegas meus já estão dando o recado com maestria, e não tenho nada de realmente novo a acrescentar, sem soar redundante. Continuo achando que se indignar, querer avanços, semear mudanças de mentalidade, vale a pena. Essa é uma luta cotidiana de todos nós. Mas também reconheço que estamos vivendo uma overdose do assunto na mídia, num espaço muito curto de tempo. Isso cansa os ouvidos dos leigos e, por conta disso, acaba enfraquecendo a própria discussão. Muita gente bem-intencionada e até francamente simpatizante não aguenta mais ouvir falar em causa gay o tempo todo. No fim das contas, isso dá munição para uma das falácias mais levianas usada contra nós: a de que estamos querendo instaurar uma ditadura da minoria, uma patrulha gay empurrada goela abaixo da maioria. Será que não estamos errando a mão?

13 comentários:

Don Diego disse...

Tenho sentido a mesma coisa.

Mas essa questão do excesso é uma característica da imprensa como um todo, cada veículo quer ser o mais completo e a melhor fonte de informação do mundo, então todos dão o mesmo assunto da maneira mais detalhada e cansativa possível. Ainda mais se o tema causar polêmica, como o caso de hj, o pai e o filho héteros que apanharam porque os sete agressores acharam q eles eram um casal gay. Não aguento nem mais ler uma vírgula sobre isso.

Lembra quando jogaram a criança da janela do apartamento? Só se falava nisso. Lembra quando a Suzanne matou os pais? Só se falava nisso.

Sobre sua última frase, concordo plenamente tb, mas acrescento q a culpa não é nossa: a mídia descobriu que assunto gay rende polêmica e vende como nunca...daí...é bom nos prepararmos pra mais matérias e matérias detalhadas e até certo ponto agressivas....

Luciano disse...

Thiago,
Não sei se é bem assim. Como estas notícias nos chamam mais a atenção fica parecendo que o tratamento é excessivo. Mas ao lado destas notícias vinham centenas de outras às quais não demos muito ouvido.
Às vezes lemos tanto só sobre o que nos interessa que dá a impressão que o mundo inteiro só fala nisso.
Acho que só ficamos mais seletivos frente a este oceano de informações.
Muque de Peão

Daniel disse...

Pois senta que lá vem mais uma onda de supercobertura da homofobia: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/07/20/policia-investiga-assassinato-que-pode-ter-sido-motivado-por-homofobia-em-barretos-sp-924943635.asp

Thiago Lasco disse...

Bom argumento, Luciano! De qualquer forma, tenho ouvido essa queixa de saturação do assunto por parte de outras pessoas não ligadas ao nosso mundinho.

E os comentários dos internautas nas notícias da Folha, por mais que sejam tomados por participações de baixo nível, não deixam de ser tb um indicador relevante nesse sentido.

Mas gostei do que vc falou e vou pensar mais sobre isso.

TONY GOES disse...

Mas a gente quer tão pouco... só poder se casar, não ser agredido, não ser discriminado. Só o que as outras pessoas já têm, nem mais nem menos. E pagamos os mesmos impostos que todos.

Os héteros acham nosso papo chato? Então aceitem nossas reivindicações que a gente para de encher o saco.

isa disse...

Não acho que tanta informação dá munição para os que falam da ditadura gay: aliás, eles faltam tanto de gay que eles mesmos ajudam a provocar essa overdose de informação. Adoram falar de gay.

Acredito que no meio de tudo isso haja coisas positivas e é melhor discutir do que não discutir o assunto, mas confesso - e estava comentando isso com um amigo - que também não aguento mais! Fora que às vezes erram a mão totalmente na mídia, daí fica muito irritante mesmo.

Como trabalho com o tema também, haja boa vontade e interesse pra não ficar tudo maçante demais.

*sessão desabafo*

Thiago Lasco disse...

Concordo com tudo. Mas o efeito colateral dessa saturação é estarmos criando uma insensibilidade ao nosso discurso!

beto disse...

um dos temas interessantes no tal suplemento do The Economist que te falei é sobre como o advento da internet, especialmente das redes sociais, causou um enorme impacto na comunicação de massa.

como há informação demais e tempo de menos, acabamos filtrando cada vez mais o que lemos. e um dos filtros mais importantes é nosso círculo social. ou seja, acabamos lendo e comentando com nossos amigos os mesmos assuntos de sempre, meio que ignorando todo o resto - cada um no seu quadrado.

então eu e vc (e grupos anti-gays) podemos achar que o tempo todo se fala de direitos gays etc, enquanto outros nem percebem essa pauta, pois estão seguindo assuntos que são mais do interesse deles.

achei interessante a comparação no tal suplemento do momento atual com o início do século XIX, antes do surgimento dos meios de comunicação de massa. a opinião dos autores é que estamos voltando ao padrão vigente naquela época, com a informação sendo principalmente disseminada e debatida entre pequenos grupos razoavelmente homogêneos (e, consequentemente, com menor pluralidade de opiniões) do que a mesma informação atingindo a população em geral.

Anonymous disse...

NAO CONCORDO COM VC!VOLTA A FALAR DE VIAGENS E COMIDA, COISA QUE VC DOMINA COMO NINGUEM.

marta matui disse...

Obrigada! Me tirou um peso. Estou de saco cheio desses assuntos e com saudades de quando meus amigos gays discorriam sobre assuntos do cotidiano, rs.

danrodrigues disse...

Concordo plenamente com a sua visão, Thiago. It's too much now. Poderiam dar uma pausa nesse assunto.

danrodrigues disse...

Concordo plenamente com a sua visão, Thiago. It's too much now. Poderiam dar uma pausa nesse assunto.

Sr Wilson disse...

Concordo plenamente. E quanto a beijo gay em novela, quem se importa? Quem vê novela hoje em dia? Aliás, pelo que leio vez ou outra, gay em novela passou a ser item obrigatório, um verdadeiro merchandising imposto pelos autores, que na maioria são ao menos simpatizantes. Seria positivo se não fosse saturador, algo como a música sertaneja atualmente... Precisamos descobrir outros caminhos!