quarta-feira, 3 de maio de 2006

Pool party La Turca caminha para a consagração

Nesse último domingo (30 de abril), a quarta edição da pool party La Turca reuniu pelo menos 800 pessoas – entre barbies, héteros e até travestis – em uma casa de campo em Jaraguá, no extremo noroeste da cidade de São Paulo.

São Paulo já tinha uma noite gay muito bem suprida, com lugares de vários tamanhos e opções para todas as tribos – incluindo um superclube que com certeza está entre os cinco melhores clubes gays do mundo atualmente – mas, até bem pouco tempo atrás, ainda não tinha sua pool party. Os paulistas precisavam esperar até o Carnaval para ir ao Rio de Janeiro, ou então desembolsar umas boas doletas para se jogar em Miami.

A pool party La Turca veio de mansinho, como quem não queria nada, preencheu essa lacuna e, em sua quarta edição, já pode ser considerada uma das celebrações mais importantes da cena gay (ou, pelo menos, do clã das barbies) de São Paulo. Tanto é que, na multidão que bombou o sítio alugado para a festa, viam-se muitos rostos de outras cidades (Campinas e Santos compareceram em peso), de outros Estados (RJ, PR, RS, ES e até MS) e até de outros países (com pelo menos duas rodinhas bem animadas de gringos que entraram na onda da jogação brasileira).

Para não fazer feio diante de um público cada vez maior, a produção procurou cuidar bem de todos os detalhes, e isso já se via antes mesmo de chegar à festa: o caminho até o local foi todo sinalizado com panos cor-de-rosa, o que acabou sendo de grande utilidade, já que o percurso era bastante complicado para os não-iniciados. Chegando lá, mais amostras de profissionalismo. Os seguranças cumpriram bem o papel que se esperava deles: eram sérios, mas cordiais, sem sinais de preconceito ou abusos. Duas grandes mesas de frutas foram colocadas à disposição de todos, e uma espécie de trailer vendia sanduíches de carne louca e cachorros-quentes. Quem queria dar um tempo da jogação podia se esparramar em vários sofás de veludo bordô espalhados pelos jardins, bem como um quiosque coberto. Uma cama elástica e um enorme tobogã inflável davam um ar divertido e até inocente à festa. Faltou apenas um número maior de banheiros, pois havia apenas três para todo mundo, o que provocava filas de cortar a onda de qualquer um...

Como em toda pool party que se preza, porém, era em volta da piscina que a coisa pegava fogo. No som, os DJs Renan Petrecca, Felipe Lira, Robson Mouse, Herbert Tonn, Morais, Willy, Leandro Becker e Vlad fizeram sets bastante adequados à proposta da festa, acertando em cheio no gosto do público. De todos eles, quem realmente roubou a cena foi Morais. O DJ dosou muito bem momentos mais happy e outros mais dark (incluindo aí uma ótima versão progressive de “Fever”, da Madonna), e isso sem ficar se apoiando nos hits mais óbvios (nada de “Cha Cha Heels”, oba!) . Não foi à toa que, após encerrar o seu set (com “Because of You”, de Kelly Clarkson, cantada em coro pela multidão), Morais foi o mais aplaudido de todos.

A festa deveria durar até as 22 horas, mas a animação do público era tanta que a produção resolveu deixar rolar, e com isso muita gente acabou desistindo de ir pra The Week ou pra Blue Space. Foi uma festa incrível, que, guardadas as devidas proporções, não fez feio diante das pool parties cariocas (embora seja injusto querer compará-las, até pelo fato de que no Rio o Carnaval dá uma outra cara a qualquer festa), e com certeza será o assunto geral nas rodinhas por pelo menos umas duas semanas. Prova de que o projeto, que começou pequeno, já tem maturidade suficiente para aparecer entre as festas da semana da Parada Gay e, quem sabe, alcançar sua consagração definitiva. Resta esperar para ver se a cada vez mais conhecida Turca vai ou não vai aproveitar essa chance.

Resenha que escrevi a convite do site GLX.com.br